As pequenas revoluções do dia-a-dia da mulher

As pequenas revoluções do dia-a-dia da mulher

por Fran Bittencourt
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03/10/2018
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As meninas e os meninos desde crianças vivem diferentes socializações, ou seja: são educados para reprimir ou exaltar determinadas emoções e comportamentos. As mulheres são estimuladas a ser doces, calmas, submissas e sensíveis, enquanto os homens têm essas características reprimidas e são encorajados a falar mais alto, não demonstrar sua vulnerabilidade e por vezes atitudes de agressividade são recompensada dentro de casa.

Fonte: Divulgação

O documentário no Netflix “The mask you live in” fala sobre a educação masculina e sobre o que fazer para criar uma geração de homens mais saudáveis. Observar como meninos são educados ajuda a entender de onde vêm as atitudes machistas e a agressividade que vemos em muitos homens adultos. Atuar no combate ao machismo pode ser feito de diversas formas: tanto indo a passeatas e lutando nas ruas pelo direito à igualdade, quanto tendo atitudes revolucionárias no dia-a-dia.

Ajudar na educação de crianças (filhos, primos, sobrinhos) é uma excelente forma de atuar dentro de casa. Estimulando que as crianças compartilhem seus sentimentos e explicando desde cedo que o respeito é um dos valores mais importantes para se viver em sociedade. Minha professora de relações de gênero, na faculdade, teve um filho no primeiro semestre de curso, hoje ele tem 5 anos e ela compartilha no facebook os diálogos entre eles, nos quais explica o que é machismo e dá a ele o exemplo ao ser uma mulher independente e empoderada. Ela demonstra ter uma relação de respeito com seu filho, ao atuar ativamente na educação dele ajudando-o a perceber suas atitudes e o que elas significam.

Essa semana estava fazendo uma prática de Yoga e ouvi um bom exemplo de como podemos ajudar dentro mesmo do nosso condomínio: a instrutora contou que ouviu uma briga entre um casal no apartamento em cima do seu. Ela percebeu que a mulher se encontrava em uma posição de vulnerabilidade, segurava o filho deles, bebê, no colo, enquanto o esposo fazia xingamentos agressivos e falava em voz alta. Sabe aquele ditado que diz “em briga de marido e mulher não se mete a colher?” Então, nesse dia minha instrutora de Yoga fez diferente, saiu em solidariedade a outra mulher, que ela nem conhecia, e gritou de seu apartamento, mostrando que estava ciente do que se passava e perguntando se a vizinha precisava de ajuda.

Esse tipo de atitude, pode até não parecer, mas faz muita diferença em um momento de agressão. Tanto para que homens percebam que estamos conscientes das agressões que eles estão cometendo, quanto para que as outras mulheres sintam a nossa solidariedade e que se empoderem ao perceber que não estão sozinhas. Pensando nisso, foi criado o aplicativo Mete a Colher, oferecendo uma rede segura para que mulheres possam conversar e receber ajuda em casos de violência doméstica e agressões.

Treinando nosso olhar percebemos que podemos ser úteis ao ter atitudes simples como essas no nosso dia-a-dia. Fazendo a diferença na vida de outras mulheres e na nossa própria, não aceitando mais abusos por vezes pequenos, mas que somados, se tornam dolorosos e maiores. Aprendendo com histórias de amigas, ou ainda com nossas próprias atitudes de intervenção.

Conta aqui embaixo quais foram as suas últimas revoluções diárias, que atitude de intervenção você teve que fez a diferença na sua vida ou na de outras mulheres?

Um abraço, Fran.

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