A Herself

A Herself

por Equipe Herself
|
03/06/2018
|
, ,

Como tudo começou

Por que seguir reclamando, insatisfeitas com o cenário que estamos, se podemos tentar fazer a diferença juntas?”. Foi com este questionamento que a Herself iniciou seu ciclo, em 2016, quando a então estudante de Engenharia Química da UFRGS, Raíssa Assmann Kist, participou de um edital para projetos de impacto socioambiental.

A fundadora conheceu a solução no exterior e decidiu compartilhar ela com as brasileiras. A preocupação maior foi em como fazer isso causando o menor impacto possível. Por isso, ao invés de partir para a importação da tecnologia e do produto, hoje produzido em países emergentes da Ásia, decidiram apostar na inteligência e economia local.

A jovem estudou tecnologias brasileiras para desenvolver as camadas com as diferentes funções necessárias na produção dessa calcinha. Uma com 100% algodão em contato com a pele, o mais indicado em função de ser mais respirável; outra com um tecido ultra absorvente e com propriedades antimicrobianas, para neutralizar odores; e uma camada hidrorepelente, para evitar a passagem da menstruação.

Tecidos tecnológicos produzidos no Brasil

O lançamento

O programa permitiu que o primeiro protótipo da calcinha fosse desenvolvido, depois de ouvir 800 mulheres pelo Brasil. Após essa etapa, o financiamento coletivo foi criado e tornou real o objetivo de, em comunidade, melhorar a maneira como as mulheres vivem a sua menstruação, além de diminuir o impacto ambiental com a geração de lixo em cada ciclo menstrual.

Durante 7 meses, as pessoas contribuíram com o projeto através do Catarse, mas em 20 dias a meta inicial de R$ 30 mil foi batida. A campanha recebeu a contribuição de 790 pessoas que tornaram possível a produção das calcinhas e escolheram suas recompensas entre dois modelos disponíveis: Ceci e Frida.

A repercussão

Além do sucesso da meta ultrapassada, a Herself foi pauta em muitos veículos de comunicação, o que contribuiu para que mais pessoas conhecessem o projeto e incluíssem “calcinhas menstruais” em seu vocabulário todo o mês.

Depois do envio das recompensas, uma pesquisa de desenvolvimento de produto foi realizada e o feedback das mulheres que testaram o produto serviu para criar melhorias. As respostas também foram responsáveis pela criação de novas opções: um modelo para quem tem fluxos mais intensos e batizado de Zuzu, em homenagem a Zuzu Angel; a opção de incluir uma camada extra de proteção e uma uma necessaire impermeável. Esta última é uma saída para quem precisa trocar a calcinha antes das 12h limite de uso.

Após essa fase inicial, a equipe aumentou e a Herself se estruturou para uma segunda etapa da sua história: lançou um novo site conceitual e com ecommerce, e começou a vender em um ponto físico em Porto Alegre – a Casa Modaut, um espaço colaborativo com marcas autorais.

Apesar dessas mudanças de estrutura, o propósito de se criar em conjunto permanece. A empresa mantém uma base atualizada de mulheres que querem participar dos testes de novos produtos. De forma descomplicada, basta preencher um cadastro e aguardar o contato para ser mais uma mulher responsável pelo desenvolvimento de um produto feito para ela, por ela. O objetivo é acionar estes cadastros ainda no primeiro semestre desse ano, cumprindo o cronograma de lançamento de mais novidades no mercado.

Sócia fundadora Raíssa Kist em entrevista a Fátima Bernardes

Como funciona

A calcinha é feita com materiais inteligentes e preparados para entrar em contato com a menstruação, o que permite 2 anos de uso durante o período menstrual. Isso significa que são 225 absorventes descartáveis que não viram lixo e uma economia de R$ 325,00 nesse período. Após estes 48 meses, a capacidade de absorção vai diminuindo e ela pode ser utilizada como uma calcinha normal, ou seja, não precisa ser descartada.

Com capacidade de combater bactéria e odores, a calcinha pode ser usada por até 12 horas. Para a lavagem, basta deixá-la imersa em água morna por 15 minutos e depois lavar normalmente – à mão ou na máquina de lavar.

A matéria-prima é catarinense e a mão de obra gaúcha, encabeçada por mulheres, designers e costureiras da região, para garantir que todo o processo seja feito com o máximo de cuidado e com o menor impacto ambiental. Para valorizar o conforto, o respeito e a naturalidade de cada mulher, a grade de tamanhos varia entre os números 36 e 48.

Ensaios com mulheres reais

Os lançamentos de 2018

Com a inovação validada pelas mulheres, a Herself planeja pelo menos dois lançamentos em 2018. O primeiro deles foi anunciado em julho: o primeiro biquíni menstrual brasileiro. A tecnologia usada nos biquínis é a mesma das calcinhas – um tecido ultra absorvente e com função antimicrobiana que evita fungos, bactérias e odores. A diferença, no entanto, é a camada que o reveste: ela recebe um tratamento especial para reter a menstruação e deixar apenas a água passar, evitando que haja vazamentos no momento de saída do mar ou da piscina.

Além disso, o contato com a região íntima e o modelo mais aderente, terão o papel crucial nesse processo. “Com o biquíni, a mulher entra e sai da água, coisa que não ocorre com a calcinha. Mas e qual é a diferença entre essa interação com a água e o momento de lavar? Como o biquíni não estará mais em contato com a pele, será possível retirar todo o conteúdo armazenado”, indica a idealizadora da marca. Outra diferença entre um produto e outro é em relação ao tempo de uso, as calcinhas tem uma autonomia de 12 horas, já os biquínis terão de 6 horas, por conta da ação do antimicrobiano.

Continuando com a proposta da viabilização das calcinhas, os biquínis serão lançados através de um financiamento coletivo, com o objetivo de fazer uma cocriação com as brasileiras, um apoio e estruturação do projeto. Durante 3 meses, mulheres de todo o Brasil poderão adquirir os modelos e depois ajudar no desenvolvimento de melhorias relacionadas à modelagem, estampas ou cores. Nesse processo, segundo as sócias Camila Kist e Raíssa Kist, muitas novas ideias costumam surgir – inclusive relacionadas a novas criações.

O primeiro modelo lançado será mais tradicional e na cor preta, mas com duas opções – biquíni de duas peças ou maiô, que também pode ser usado como body. Os tamanhos disponíveis variam do 32 ao 60. No financiamento coletivo será entregue o biquíni completo, ou seja, com a parte de cima incluída e pensada para se adaptar a diferentes tamanhos de corpos, já que será ajustável. Para as mulheres que desejarem ser umas das primeiras brasileiras a usarem um biquíni enquanto menstruadas – e sem protetores – o investimento inicial promocional varia entre R$160,00 e R$180,00. Mais informações aqui. A outra novidade está em fase de finalização e deve chegar ao mercado em setembro.

Avalie este post
Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Relacionados

Quer ver algum tema específico no blog? Conta mais!





Entra com a gente nessa ;)

DIGITE SEU NOME E E-MAIL PARA FICAR POR DENTRO DE TUDO