De um parto difícil à descoberta do propósito de vida

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De um parto difícil à descoberta do propósito de vida

Você já imaginou descobrir seu propósito de vida a partir de um desafio? Já pensou sobre o poder que vem de se conhecer bem? De prestar atenção a sua voz interior? Pois é disso que trata a linda história que nós vamos resumir aqui pra você. É sobre Bia Fioretti, uma publicitária, fotógrafa e designer que teve dois partos muito difíceis. O segundo a deixou com anorexia e até um diagnóstico de menopausa precoce. Só que em vez de puxar pra baixo, tudo isso impulsionou Bia a uma grande transformação.

Recentemente Bia Fioretti foi nossa convidada no Herself na Escuta. Na entrevista ela nos contou sua incrível história de superação e transformação.

Tudo começou com Bia desde criança, sempre dizendo que ia ser médica.

Sendo assim, sua família estranhou muito quando ela passou no vestibular mas decidiu não se matricular.

Afinal, o mais difícil ela tinha conseguido: passar na medicina. E da faculdade federal, a mais concorrida.

É que naquela época Bia se considerava uma aluna mediana. Ela não era de estudar muito e “às vezes até colava”. (Palavras dela, viu?)

Dessa forma, achava que não daria conta do nível de exigência da faculdade.

Nesse meio tempo (e em segredo…), Bia tinha prestado vestibular para Desenho Industrial. E já que tinha passado, era essa a faculdade que planejava cursar.

Ela só não contava com a resistência da família. Seus pais achavam que desenho industrial não era uma “profissão de verdade”. Dissseram que só pagariam essa faculdade privada se ela cursasse Administração de Empresas também.

Como resultado, Bia acabou fazendo os dois cursos ao mesmo tempo.

Ah, essas voltas que a vida dá

Os partos sempre exerceram um fascínio especial em Bia. Desde sua infância.

E se um dia ficasse presa num elevador com uma gestante, ela se perguntava.

E se a grávida entrasse em trabalho de parto? O que iria fazer?

Atualmente ela acha graça dessas fantasias que tinha quando era criança.

Mas adivinha o tema que escolheu para um dos primeiros trabalhos da disciplina de fotografia. Um parto, claro.

Conseguir a liberação para fazer o trabalho foi fácil. Para isso bastou ela pedir para um amigo que fazia residência em um hospital.

Assim, lá se foi a Bia assistir ao primeiro parto de sua vida.

Por certo, iria projetar os seus próprios partos também, como  admite hoje.

Esses ela queria que fossem bem naturais.

É possível superar uma experiência ruim?

Bia teve dois filhos. No entanto, nenhum deles foi fácil.

Os dois foram bem complicados pra ela. Especialmente o segundo, que deixou traumas.

Logo depois dele, Bia teve anorexia. O tempo foi passando e sua menstruação não voltava.

Por causa disso, foi diagnosticada com menopausa precoce.

Entretanto, nunca culpou os médicos, ou a equipe do hospital. Eles tinham sido todos muito atenciosos.

O que ela acha é que não sabiam fazer de outra forma na época.

Só pra dar um exemplo, ninguém a orientou para caminhar antes do parto, por exemplo. A se manter de pé.

Além disso, ela ficou na posição deitada na hora do parto. Isso anula aquela ajuda extra da força da gravidade.

O resultado foi uma experiência feminina muito ruim. E seus efeitos que duraram por anos.

Quando a dor vira cura

Algum tempo depois, Bia foi convidada para um trabalho publicitário diferente.

Era um trabalho voluntário. E a cliente, uma enfermeira que tinha largado tudo para viver no meio dos índios.

Estava criando a ONG “O caminho das tradições sagradas”, para preservar o trabalho de parteiras e benzedeiras da Amazônia.

O trabalho de Bia seria documentar o trabalho dessas mulheres para criar conteúdo para o site da ONG.

Ela iria fotografar e realizar entrevistas lá no meio da Floresta Amazônica.

Seria uma aventura. E ela não sabia, mas a partir daí as coisas iriam mudar muito em sua vida.

A reconexão com o feminino

Acompanhar o trabalho das parteiras ensinou a Bia muitas coisas.

Acima de tudo, ela entendeu que não precisava ter passado por tudo que passou em seus partos.

Em meio às entrevistas e fotos com as mulheres, descobriu que nascer era muito mais fácil.

Mas o mais importante foi com ela mesma. Nesse período, Bia restabeleceu a conexão com seu corpo.

Aos poucos, foi percebendo que o ciclo que acontecia dentro dela tinha uma estreita relação com a natureza.

Ela se deu conta de que seu corpo estava conectado com o ambiente à sua volta. E portanto, com esses outros ciclos também.

Uma nova Bia

Ao voltar da viagem, Bia estava menstruando de novo. (Então ela não tinha entrado na menopausa, certo?)

Ao mesmo tempo, tinha descoberto um novo caminho de aprendizado.

Esse novo caminho era pela observação. Mas um tipo especial de observação, com simplicidade e muita empatia.

Em consequência disso, até seu estilo de liderança mudou.

É que com o tempo, Bia tinha restringido sua intuição, criatividade e percepção.

Tinha ficado racional demais, burocrática, até um pouco intransigente. Em síntese, tinha adotado uma forma endurecida de liderar.

Depois dessa reconexão consigo mesma, ao contrário, passou a liderar com empatia.

Simplesmente porque passou a se basear mais em sua percepção e sensibilidade.

Em contrapartida, passou até a entender melhor as motivações das pessoas.

Conseguiu enxergar melhor os verdadeiros talentos de cada um.

Em função dessa mudança Bia teve muito sucesso em seus últimos anos na publicidade.

Quando o propósito de vida é a escolha certa

Desse modo, Bia foi desenvolvendo várias habilidades em função do novo interesse.

Entre outras coisas, organizou exposições, palestras e cursos.

Logo entendeu que precisava ampliar e fortalecer seu lugar de fala.

E assim resolveu estudar de novo. Fez o mestrado e depois o doutorado.

Por um tempo, conseguiu conciliar o novo “hobby” com a carreira publicitária.

Mas não demorou o dia em que algo ficou muito claro para ela: o hobby é que era seu destino.

Ela tinha descoberto seu propósito de vida: trazer informação para as pessoas de maneira simplificada.

Ecofeminismo é integração

Antes de mais nada, Bia se identifica muito com as ideias do ecofeminismo.

É dentro dele que se dá sua luta. Mas é através da informação que essa luta acontece.

A Caderneta da Gestante que desenvolveu no Ministério da Saúde, por exemplo.

Ali tem todas as informações importantes para todo o período da gravidez, o pré e o pós parto.

Só com informação as mulheres descobrem quais são seus direitos. entendem como as coisas devem ser feitas.

Aí entram questões como políticas públicas e até questões da indústria farmacêutica.

Para Bia, o verdadeiro eco-feminismo vai ser quando todas essas questões estiverem integradas.

No entanto, não existe integração sem igualdade.

Igualdade de gênero, por exemplo. Incluindo qualquer gênero que menstrue e ovule.

E igualdade de raça também.

Sem igualdade, sofremos violência obstétrica de duas formas diferentes.

Uma é quando os recursos não são oferecidos. A outra é quando esses recursos são oferecidos em demasia.

Ou seja, uma parte das mulheres sofre por falta, outra por excesso de intervenções.

Quem é Bia Fioretti hoje

Pra resumir a historia, Bia se tornou especialista em Comunicação em Saúde e Ciclos Femininos.

Hoje tem os títulos de mestre em Medicina Interna e Terapêutica e de doutora em Saúde Pública.

Atualmente dirige documentários, dá palestras, organiza exposições e dá aulas nessa área.

Já trabalhou para o Ministério da Saúde, para a FIOCRUZ e agora está se preparando para lançar seu primeiro livro.

“Os segredos de Alice. O corpo feminino de uma forma mais fácil de entender” é o titulo.

E ela mesma já dá o spoiler: “a personagem principal é uma menina corajosa que um dia sai em busca de um mundo desconhecido. Esse mundo nada mais é do que o seu autoconhecimento.”

Se Bia pudesse mandar um recado para ela mesma aos 25 anos…

Em primeiro lugar, Bia disse que está muito feliz com seus 58 anos. Que está muito realizada.

É muito bom ouvir isso de uma mulher, em qualquer idade. Sempre nos enche de esperança.

Mas se precisasse mandar um recado a ela mesma bem mais jovem, seria simples assim: confia e vai.

Por certo. Bia acha que mesmo que as coisas pareçam estranhas, é importante confiar.

Ainda que nada pareça ter muita lógica. Acima de tudo: acredite e vá em frente.

Para isso, nada melhor que reconhecer a própria dor. É assim que conseguimos transformar a dor em cura.

Como ela mesma fez.

 

Saiba mais sobre a Bia. Visite o seu site.

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