Despertar para o consumo consciente

Despertar para o consumo consciente

Fonte: Jornal do Commercio

É tempo de despertarmos para os impactos que geramos no mundo. Como dizia Newton, toda ação gera uma reação: produzir e consumir gera impactos sociais e ambientais, desde comprar uma camiseta até ir de carro ao trabalho. Estamos consumindo em uma velocidade acelerada através de grandes lojas de departamento, o que acaba dificultando que a informação de “quem” e “como” se produz chegue até nós. Comecei a me questionar sobre essas contradições nos últimos anos: sempre gostei de moda e conversando com meus amigos sobre nossos hábitos de consumo, percebi que acabamos sem saber quem são as pessoas que fazem nossas roupas e nem quais são os tecidos utilizados em sua fabricação.

No que posso prestar atenção ao consumir uma roupa:

  1. Quem fez?

Fonte: catalunyaplural.cat

Verifique se a marca da qual você está comprando fala sobre de quem são as mãos que costuraram suas peças. Em muitas lojas de departamento (fast fashion) existem denúncias de que a produção das roupas é feita através de um regime análogo à escravidão em países como Bangledesh, Índia (nas cidades de Deli e Kan Pur) e China (na região de Hong Kong). Em média, nessas condições, as pessoas recebem até 2 dólares por dia e trabalham em indústrias com estados de segurança precários. Esses lugares são chamados de “fábricas de suor”, nas quais a mão-de-obra é principalmente infantil e feminina (85% são mulheres). Verificar quem está costurando suas peças é muito importante para que tenhamos consciência de que tipo de trabalho e condições estamos financiando: a maneira como consumimos molda nossa sociedade.

  1. Como o tecido foi produzido?

Fonte: textileindustry.ning.com

Os agrotóxicos que são utilizados nas plantações agrícolas também são usados na produção de algodão. Na maioria das vezes o que chega até nós são tecidos que levaram veneno em sua fabricação. Nossa pele é o maior órgão de nosso corpo, então é importante darmos atenção não somente àquilo que comemos, mas também ao que vestimos. Sempre que possível dê preferência ao algodão orgânico, quando ele é utilizado isso geralmente é informado pela marca.

Pensando em agir na redução dos impactos ambientais gerados pela indústria da moda, pessoas têm se organizado em movimentos como o Fashion Revolution, criado em 2015, que propõe uma semana de atividades de conscientização, promovidas por voluntários em mais de 100 países. O tema da edição de 2018 é “Quem fez minhas Roupas?”, e a campanha convida a publicar uma selfie segurando a etiqueta da marca de uma de suas roupas com a hashtag #QuemFezMinhasRoupas?, procurando iniciar uma melhor comunicação entre consumidores e marca.

Nesse ano também foi inaugurada a Casa Modaut em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É um movimento que tem como propósito unir marcas e público da moda de uma forma mais consciente e presente. A casa Modaut reúne hoje 5 marcas residentes, entre elas a Herself. Lá você pode conhecer alternativas de marcas de  slow fashion (moda lenta), além de se conectar com eventos que acontecem nessa área.

Muitas iniciativas têm sido criadas para repensarmos nossa forma de consumir. Entre elas o documentário  “The True Cost” (disponível no netflix) nos apresenta dados e mostra como funcionam as contradições na indústrias de moda. Na literatura, André Carvalhal escreveu o livro “Moda com Propósito”, que questiona esse modo de consumo e traz como alternativa o fazer com propósito, que deveria nortear a criação de todas as empresas.

Já estamos despertando para o consumo consciente: assistir documentários, ler sobre o assunto, conversar sobre nossos hábitos e conhecer marcas que estejam atentas ao seu modo de fazer são o primeiro passo para entender de que forma nossas atitudes geram impacto.

Com carinho, Fran.

@franbitten

Share this post

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.


0
Herself