Amadurecimento, autoconhecimento e autoestima

Nesse primeiro #HerselfnaEscuta, conversamos com a doutora Tania Jaques sobre amadurecimento, autoconhecimento, autoestima e incontinência urinária. Levando em conta, sempre, que passamos por diversas pressões nos diferentes ciclos da vida. 

Saber ouvir é o melhor jeito de evoluir e amadurecer, né? 💛 A Tania tem 40 anos de experiência como especialista em ginecologia. Então, imagine se ela não tem boas dicas e conselhos pra gente? Sobre a nossa saúde, sobre as mudanças que vão ocorrendo ao longo do tempo. Sobre problemas que podem surgir.  Como ela nos mostra, sempre tem um jeito de enfrentar. Tudo para vivermos com mais leveza e sermos mais felizes em todas as idades, em todos os nossos diferentes ciclos

Vem com a gente conferir como foi essa conversa! Se quiser conferir a entrevista completa no formato de vídeo, clique aqui 😉

Sobre a importância de conhecer o próprio corpo

Por incrível que pareça, ainda há muitas mulheres que nunca se tocaram, que nunca colocaram um espelho à sua frente para ver como são os seus genitais.  A mulher precisa se enxergar entender e aceitar as diferenças. A mídia dá a entender que todas as mulheres deveriam se enquadrar nos mesmos padrões. Como se toda a vulva, todo o clitóris, toda a depilação devesse ser igual.  

Na realidade, todas nós somos diferentes. Assim como temos orelhas e bocas diferentes, nossos genitais também diferem entre si.

Felizmente isso vem mudando. A mulher está sendo cada vez mais dona do seu corpo e isso é fundamental para que possa ser feliz, para que possa encarar as mudança da vida com naturalidade nas diferentes etapas. Para isso, conhecer seu corpo é o primeiro passo.

Um exemplo de quando não nos observamos bem: incontinência urinária

A incontinência urinária pode ser um exemplo da falta de atenção ao próprio corpo. O fato da perda de urina gerar vergonha agrava essa questão. Faz as mulheres preferirem não discutir o assunto nem com as amigas. No consultório, é preciso perguntar para estimular a questão.

Mas o fato é que esse problema é bem comum.

As perdas urinárias podem acontecer em diferentes fases da vida e por diferentes causas. Uma mulher jovem pode ter perda de urina se tiver uma infecção urinária; se estiver grávida, pela pressão do bebê sobre a musculatura pélvica. A perda de urina também pode ser por esforço quando a gente ri muito, por exemplo.

Na transição menopáusica, elas são muito comuns também. Nessa fase, geralmente é de esforço. Sua causa é a falta de estrogênio na uretra e na vagina. Mas em nenhuma fase da vida a mulher precisa aceitar o problema e achá-lo ‘normal’. É muito importante buscar o diagnóstico e o tratamento certo.

Como cuidar e tratar a incontinência urinária?

Se uma mulher tem perda urinária, é importante que tenha os cuidados necessários. Para que possa sair de casa sem constrangimentos, é importante usar algo que a proteja. Nesse sentido, nossas calcinhas absorventes são boas aliadas <3 No entanto, elas não são a solução! A procura pelo tratamento adequado sempre deve ocorrer, viu? 🙂

Antes de tudo, é importante descartar uma causa ginecológica. Incontinência pode ser a simples decorrência de uma infecção urinária. Pode ser  também devido a uma atrofia genital, mas é só identificando a causa que se pode chegar à solução certa.

A maioria dos casos se resolvem com fisioterapia pélvica, com a correta avaliação de uma fisioterapeuta pélvica e a indicação de exercícios específicos para a paciente. 

Alguns se resolvem com o tratamento da infecção, outros com uso tópico de estrógeno (aplicação somente no local), dependendo da idade.  Há casos em que o mais indicado é a colocação de um pessário, que garante sustentação à pelve.  Há também os que só se resolvem com intervenção cirúrgica, mas esses são bem mais raros.

O importante é que a mulher busque a solução. Para isso, as consultas ginecológicas de revisões periódicas* são fundamentais.

(*Frequência ideal: a cada 6 meses para quem tem vida sexual ativa. Uma vez ao ano para todas as mulheres. Consultas mensais, somente para gestantes.) 

Como recuperar a autoestima?

O sofrimento gerado pela perda de urina é psíquico. É um problema que afeta muito a imagem que a pessoa tem de si mesma. A mulher deixa de fazer atividades comuns como viajar e passear. Às vezes não se sente à vontade nem para ir à casa de uma amiga, pois há aquela questão do odor. Então não importa a idade, não importa em que momento de vida. Essa não é uma situação que se deva aceitar. 

É preciso ter coragem e ir atrás da solução. Cada vez se vê mais mulheres com mais de 80 anos, às vezes quase 90 anos, que vão sozinhas às consultas, lúcidas e muito bem resolvidas. Essa é a ideia: que as mulheres se mantenham independentes, ativas e que mantenham a autoestima nas diferentes fases da vida. Com a sua beleza de cada idade.

Momentos extremos, momentos complexos

Os extremos da vida reprodutiva podem apresentar dificuldades. Na adolescência, quando as meninas costumam ser lindas, muitas vezes elas se acham “horríveis”. Ou porque seu peito é pequeno, ou porque tem espinhas, ou porque ainda “não tem bunda”. As famosas pressões estéticas que todas sofremos, mas na adolescência acabamos ficando mais vulneráveis à elas, né?

Já na transição menopáusica, a mulher olha mais pra si mesma. Se teve filhos, eles já estão crescidos, então ela consegue se enxergar melhor. Muitos fatores a conduzem a fazer um balanço de sua vida. A isso se somam os sintomas das alterações hormonais. A vagina pode ficar mais seca, pode haver alteração do sono e irritabilidade, alterações químicas cerebrais. São mudanças físicas e psíquicas ao mesmo tempo. São as dificuldades com o envelhecer. E a consciência de que já não se tem mais 50 anos pela frente para viver.

Como lidar com o amadurecimento?

Esse balanço de vida pode ser doloroso. É um momento extremamente rico, mas que ao mesmo tempo pode ser confuso. São muitos os questionamentos e podem vir as frustrações, principalmente por coisas que não fizeram. Pode acontecer da mulher não conseguir manter esse olhar para o seu interior, aí o sofrimento pode ficar todo concentrado na questão física. 

É o cabelo que está branco, a pele que está seca, são as rugas. Nesses momentos, é importante lembrar que a gente envelhece. Que todo mundo envelhece. O tempo é inexorável. A opção a não envelhecer é não viver. Nada contra quem vai atrás dos tratamentos e procedimentos cirúrgicos para rejuvenescer. Mas isso tem que ser apenas um “plus”. É preciso entender que a atenção demasiada a esse tipo de cuidados pode trazer muita frustração.

A importância de não ceder à imposição de padrões

Imagine uma avó com carinha de 30 anos. Não dá né? 

Não dá para achar que será feliz só porque fez um procedimento de beleza.

O que a mulher precisa fazer é buscar sua autoestima. Ela precisa buscar se resolver nas diferentes áreas da sua vida. Cuidar da sua realização profissional, da parte familiar, dos afetos, tudo.  Porque nós somos esse somatório, né? Muitas vezes esse é um excelente momento para uma terapia. Para entender melhor esse momento de vida e pensar nos próximos passos.

Como devemos nos posicionar para viver melhor em todas as idades

Precisamos ficar felizes com o que a gente tem. Precisamos fazer as coisas necessárias para melhorar a saúde e a autoestima.

Tá com perda urinária? Vamos atrás para resolver. Tá com alteração do ciclo, tá menstruando muito? Ficou 3 meses sem menstruar e daqui a poucos veio aquele fluxo super intenso? Vamos atrás de uma solução. 

Em termos de saúde geral, é fundamental manter atividade física. Isso é muito importante para o sistema cardiovascular e para o períneo das mulheres. Se ela fizer atividade física, vai ter menos fragilidade na musculatura pélvica e menos chance de ter incontinência, perdas ou até mesmo urgência urinária. Atividade física é fundamental em todas as fases da vida. A segunda coisa é fazer aquelas revisões periódicas nos períodos indicados.

Outubro Rosa, prevenção sempre

Outubro é o mês de prevenção do câncer da mulher. Não só o de mama, mas de todos os outros. E também de prevenção das doenças mais comuns na transmissão menopáusica. Doenças cardiovasculares, hipertensão, síndrome metabólica.

Devemos ter sempre em mente: atividade física saúde, cuidado geral com a saúde e cuidado com o que a gente tem “dentro da cabeça”. Não adianta ter um corpinho bonito, aparentar muito menos idade do que se tem e estar sempre sempre brigando com tempo. Sempre querendo ser o que não é mais, o que já passou. Não tem como parar o tempo.

Cuidando do planeta e de nós mesmas

Antigamente, as mulheres usavam os paninhos. As coisas foram mudando, chegaram os absorventes descartáveis. E agora estamos evoluindo mais trazendo tecnologia para os protetores reutilizáveis, como os absorventes e as calcinhas reutilizáveis.

Essa é uma tendência muito forte. Cada vez mais mulheres estão aderindo. É a preocupação com a sustentabilidade e com o que geramos de lixo. É a consciência da dificuldade no tratamento e na quantidade de lixo gerado pelos descartáveis. E no que esses descartáveis fazem com a nossa saúde e autoestima.

Existe essa preocupação com o que está fora, mas queremos lembrar que o cuidado com nós mesmas é tão importante quanto.

Vamos cuidar bem do que a gente tem. Do nosso corpo, da nossa saúde e do planeta onde a gente vive. Vem junto? <3

O que você achou da nossa conversa com a Dra Tania Jaques? Conta pra gente aqui nos comentários! 🙂

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