Criatividade em qualquer idade: um resgate do feminino

Criatividade em qualquer idade: um resgate do feminino

Nosso primeiro #HerselfnaEscuta em formato podcast chegou <3 Nosso papo foi sobre criatividade, o feminino, histórias ancestrais e idade.

A convidada é Mariana Bandarra, criadora do podcast Talvez Seja Isso, em conjunto com Bárbara Nickel. O podcast se destacou desde o início pela profundidade das discussões das duas sobre o livro Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Em seguida, surgiu a metodologia do Planejamento Selvagem. Um método disruptivo, inspirado no livro, que ajuda mulheres a despertarem o autoconhecimento e suas potências. 

Vem com a gente conferir como foi essa conversa! Se quiser conferir a entrevista completa no formato de podcast, clique aqui.

O feminino não é isso que costumam achar que ele é.

Mariana considera Mulheres que Correm com os Lobos um livro de poder

A autora Clarissa Pinkola Estés defende que a ideia estereotipada do feminino foi criada pelo imaginário patriarcal.

E que a verdadeira história das mulheres foi apagada.

Por isso, defende que precisamos restituir nossa conexão com o feminino

Mas não do jeito domesticado, do jeito que o papai gosta. Não do jeito que o marido quer pra mostrar pros amigos, ou que o chefinho prefere. 

E sim de um jeito selvagem e poderoso. De um jeito primordial, que acontece a partir do conhecimento de histórias ancestrais.

A importância das histórias ancestrais em sua forma original

Quando a gente conhece uma das histórias do livro, às vezes não entende inicialmente o que ela quer dizer. O que tem ali dentro. Mas sabe que algo está sendo dito pra gente.

As historias são ancoradas na ancestralidade e na relação com a terra. Então se tornam fáceis de reconhecer e realizam uma espécie de medicina. 

Simplesmente ouvir ou contar uma delas já dá inicio a uma transformação

Por exemplo, apenas pensar “quando foi que isso aqui aconteceu comigo?” ou “eu acho que eu faço parte disso aqui” já produz um efeito. 

Assim, já é literalmente um livro capaz de transformar vidas.

O que o nosso lado selvagem tem a ver com a criatividade?

O forte engajamento gerado pelo podcast fez as duas começaram a lançar perguntas. O que você tem para oferecer? (Pois em todo grupo, as pessoas sempre têm algo a oferecer).

O que você tem feito com sua vida criativa? 

As respostas começaram a se repetir. 

Eu queria muito fazer tal coisa mas não consigo me organizar. 

Ah, eu não sou criativa. 

Meu sonho é fazer tal coisa mas não tenho tempo. 

Não tenho certeza do que quero fazer.

Aos poucos Mariana e Bárbara foram entendendo que só o livro não era suficiente.

As premissas precisavam ser trazidas para a vida prática. 

Então decidiram unir as tecnologias ancestrais que estão no livro às metodologias que cada uma trazia de sua trajetória.  

Em resumo, o Planejamento Selvagem surgiu para ajudar as pessoas a tirarem seus projetos do papel.

A importância da integração entre masculino e feminino

“A gente vem de uma cultura tóxica que nos faz chorar escondidas no banheiro. Nos faz dizer que estamos com alergia para ninguém ver que temos emoções.”

Em nossa cultura, o feminino está sub-representado, apagado.

Já o masculino está hiper expresso.

Só que o feminino e o masculino não são um binário, cada um contém o outro. 

Assim como yin e yang.

O feminino não é só receptivo. Da mesma forma, ele contém fagulha, explosão.

A criatividade brota desse lugar que é o feminino em todos nós. 

Então se o feminino fica apagado, é preciso reequilibrar as coisas.

Temos que resgatar nosso jeito instintivo de sonhar e de realizar.

E isso passa por conhecer nossas necessidades mais profundas.

A importância de limpar o rio para a criatividade poder fluir

“O primeiro passo é reconhecer que quem sabe o que é melhor pra mim sou eu.”

No pensamento ancestral, o criativo é nosso estado saudável.

Por isso, quando estamos bem, estamos criando.

Mesmo que seja um prato interessante para o almoço. Uma mesa mais bonita. Um filho. É poderoso cantar, escrever, dançar.

Desse modo, a criatividade transforma e cura. 

Mas a gente vai enlameando o leito do rio onde flui nossa vida criativa com pequenas violências. 

Em nossa cultura, para eu ser quem sou, tenho que bater de frente.

Temos que criar o mundo onde a gente não precisa ficar pedindo a opinião de todos. Sempre.

Sobre o corpo e o envelhecimento

“Ele me diz o que precisa. Se eu não escuto, ele grita. Se eu não escuto ainda, ele me atropela. Me derruba.”

Mariana sempre achou que só aos cinquenta chegaria a seu auge. 

Ela admira muito mulheres como Tomy Otake, Simone de Beauvoir, Yoko Ono. Mulheres que na maturidade passaram a oferecer ao mundo seu melhor. 

E até mesmo Madonna, que continua popstar aos 60. 

Mariana acaba de chegar aos 40.

Ela, que nunca teve problemas para assumir a idade, se surpreendeu ao perceber que o colágeno estava “dando adeus” a seu corpo. 

Com dobrinhas onde não esperava ter.

E que às vezes tinha que afastar mais o livro para conseguir ler.

Descobriu que ainda não sabia ter esse corpo, que estava aprendendo. 

Escutando o que ele quer.

Entendeu que até poderia reavaliar certos procedimentos estéticos que achou que nunca faria.

Mas não para disfarçar a idade e sim para se reconhecer numa identidade que quem cria é ela

“Somos muito duras com as mulheres mais velhas, não apenas as que escolhem envelhecer de maneira natural mas também as que escolhem fazer intervenções.”

O que você diria para você mesma de 25 anos?

Por fim, um recado. Aliás, dois recados. Um bem pontual: “cobra adiantado” (risos).

Mas depois deu para perceber que era sério.

“Esse ano específico dos 25 anos foi muito difícil pra mim em termos de saúde mental. Pois foi um ano em que tive uma crise de depressão, super profunda.”

Me deu vontade de dizer para ela: “tu não precisa fazer tudo sozinha”

Foi uma idade em que o medo de cair era o medo de não ter suporte ao cair. 

Ela tinha muito medo de que se ficasse doente não teria como pagar o aluguel. 

Bom, um medo razoável, mas que era muito amplificado.

Então, o que ela quis foi tentar deixar aquele momento mais leve.

“Cobra adiantado, mas tudo bem cair. A gente pode cair e ter suporte. Se tu precisar, vai ter alguém. A tua realidade vai se reorganizar pra que todas as tuas necessidades sejam supridas.”

O que você achou da nossa conversa com a Mariana? Conta aqui pra gente nos comentários.

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