O conjunto de mitos e o que nos afeta

O conjunto de mitos e o que nos afeta

por Renata Dias
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07/08/2018
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Segundo a wikipedia, o mito é um conjunto de relatos que procura explicar através da ação dos personagens sua vivência a origem de vários acontecimentos que eram incompreensíveis para as pessoas de determinada cultura. Contudo, a narrativa mitológica vem sendo usada há muito tempo para desinformar e desacreditar um grupo de pessoas para manter a dominação que aparentemente é algo natural e simplesmente acontece. Adivinharam qual é esse grupo? As mulheres! Como assim? As mulheres? Somos maioria no planeta, fazemos dupla jornada, parimos, conseguimos criar sozinhas, simplesmente nos viramos bem. Como somos dominadas? Ah, isso podia ser antes, agora não somos mais não.


A própria mitologia grega fazia um trabalho ímpar em relegar as mulheres a uma posição inferior como se fosse algo óbvio que precisasse ser relembrado sempre, como a Medusa que foi punida por ser violentada em um dos templos de Athena, e depois as narrativas foram criadas para relegar a mulher a um lugar de ornamento e objeto usável. Certamente isso era cabível no tempo antigo, hoje em dia jamais que as mulheres se deixariam colocar nessa posição, certo? Infelizmente não é bem assim.

 

Não podemos esquecer que as mulheres possuem relativamente mais liberdade de ação que antigamente. Espera-se que ajam mais em prol de algo, espera-se que cuidem mais, que tenham a aparência impecável empregando o que seja necessário, ético ou não, para chegaram nesse ponto, que sejam menos apegadas a conquistas materiais, entretanto, que procurem um provedor sólido e viril que claramente resolverá todos os problemas. Embora as situações descritas nos remetem a uma época de mais controle material, isso ainda acontece e é endossado por três grandes mitos: O mito da beleza, o mito da fragilidade e o mito da princesa ou mística feminina.

 

Com o advento da independência feminina, a preocupação com a mudança do status de poder ficou crescente quando começou a aumentar as atribuições das mulheres e alçá-las à categoria de seres confusos, que não sabem o que desejam, que precisam ser guiadas, porque liberdade em excesso deixa as pessoas cegas e somente um grupo acostumado com a onipotência desde tempos imemoriais é capaz de orientar com maestria. Compreendam que não é uma conspiração direta, pode ser entendido como um conjunto de costumes que tem por objetivo manter as mulheres no local onde pensam que lhe cabem.

Com o direito ao voto, mulheres puderam ter suas ideias consideradas e precisavam ser ouvidas para a criação de políticas e o direcionamento da cidadania, para que abrangesse os novos membros. Como isso parecia muito transgressor, melhor colocar freios na locomotiva feminina. A possibilidade de fazer toda e qualquer coisa e assim ter o status de ser humano completo não era tão simples assim, precisaria de alguns requisitos.


O primeiro deles é ser tão bela como conseguir ser seguindo determinadas instruções. Gastar o máximo que puder, colocar o corpo em evidência e o manter sempre jovem, nem que para isso se ultrapassem limites éticos, morais e corporais. O grande segredo é colocar cada vez mais empecilhos para chegar ao objetivo e ele ser perseguido desde a tenra idade e a perseguição nunca pode ter um fim. Naomi Wolf já dizia que a busca eterna pela beleza é a forma de controle mais bem sucedida do mundo atual.


Para que o condicionamento seja perfeito, começamos a educar as meninas desde pequenas apenas para determinada atividade, para ser linda. A beleza que também sofreu sua evolução, passando de ser vista apenas através dos ornamentos e características físicas naturais, foi se transformando através dos tempos, dando origem a um mercado multimilionário que é pautado na eterna busca pelo padrão vigente.

O segundo mito é o da princesa. O mito da princesa baseia-se no fato que a mulher é um ornamento, pode ser reverenciada porém não muito, o poder é nulo e precisa de um príncipe pra puxar pela mão. Como nas histórias de princesas antigas, sempre que uma princesa estava em apuros aparecia o príncipe para salvá-la. Ela só precisava disso, ser salva. O mito também preconiza a eterna salvação e dependência.


O terceiro mito é o da fragilidade. Apesar de diferenças físicas visíveis entre mulheres e homens, a mulher não é uma ser humano frágil. Isso é provado no momento em que dá a luz. Estudos revelam que dar a luz é uma das 3 piores dores que o ser humano pode sentir, contudo ainda fixam a ideia que a mulher é um ser humano frágil que precisa sempre de um auxílio. Todas as características tidas como femininas são vistas como frágeis, sensibilidade, atenção, higiene, tudo o que tem a mulher como representação é visto como demérito. A pessoa que tem essa característica é vista como alguém frágil e a fragilidade não é positiva. Sua força é vista como inferior, incompleta, seus músculos são vistos como fracos, apesar que por mais força física que um ser tenha, outro ser pode compensar em agilidade. A natureza é sábia.


Entretanto o que esses três mitos têm a nos dizer? Se o mito vem a explicar o inexplicável, como coisas irreais podem até hoje comandar nossas vidas? O que interessa mesmo é a verdade de cada mulher que pode ser o que ela desejar, sem mitos, rótulos, condicionamentos. Apenas com amor e muita luz. Força para todas nós

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