O que você pode fazer para combater a pobreza menstrual

O que você pode fazer para combater a pobreza menstrual

por Herself
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28/05/2020
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Existem alguns movimentos – dentro e fora do Brasil – para caminharmos rumo à dignidade e combatermos a pobreza menstrual. E algumas soluções sendo pensadas que envolvem ações individuais e coletivas. Para que você fique por dentro do assunto, compartilhamos essas ações nesse texto e ainda trouxemos um Manual da Ativista Menstrual pra que você consiga agir na sua rede <3

Pobreza menstrual: você sabe o que é? 

Anualmente, no dia 28 de maio, acontecem iniciativas globais pela dignidade menstrual de meninas e mulheres. E um dos precursores desse movimento é a WASH United, ONG que coordena o movimento global Menstrual Hygiene Day (Dia da Higiene Menstrual), que acontece nessa data, para chamar atenção da população mundial sobre o tabu da menstruação e sobre a ainda muito presente pobreza menstrual.

Mas você sabe o que é pobreza menstrual? Essa é a condição de inúmeras mulheres em situação de vulnerabilidade econômica e social, que não têm acesso a banheiros, saneamento básico e a protetores menstruais como os absorventes descartáveis, que são considerados artigos de luxo. Assim, as meninas e mulheres recorrem a métodos inseguros para conter o próprio sangue, como folhas de jornal, folhas de árvore, telhas ou mesmo miolo de pão. 

Para as adolescentes, essa falta de acesso a saneamento e a produtos de higiene faz com que as meninas corram riscos de saúde, parem de ir à escola e tenham suas possibilidades de desenvolvimento limitadas.

E você já imaginou como deve ser menstruar e não ter acesso a protetores e maneiras de manejar sua saúde de forma adequada?

Caso você queira entender melhor sobre o assunto, o Intercept Brasil fez esse vídeo super completo e que inclusive questiona o motivo do Brasil ainda não considerar o absorvente como um item de higiene básica (assim, ele seria mais em conta por não ter impostos).

Sugestão de leitura: ‘Pobreza menstrual’: jovem britânica convence parlamento a distribuir absorventes em escolas

E no Brasil?

Apesar do movimento ser global, é importante olharmos com maior cuidado e atenção para o local onde vivemos, né?

Aqui no Brasil, além de todas as questões expostas acima, temos um contexto de precariedade menstrual, falta de saneamento básico e invisibilidade das pessoas em situação de rua e das carcerárias brasileiras, que são tratadas como homens. 

Sugestão de leitura: Nana Queiroz e os presos que menstruam

Esse ano, a deputada federal Tabata Amaral expôs um projeto de lei para disponibilizar absorventes gratuitos em locais públicos. Ela enxerga os absorventes como solução para uma necessidade básica das mulheres. Mas o projeto não foi bem recebido pelo público, que reagiu com repúdio e comentários machistas e de ódio. Pra conferir o posicionamento da deputada e como o projeto foi recebido pelo público do Twitter, clica aqui 😉

Tabata Amaral falando sobre o projeto que busca combater a pobreza menstrual por meio da distribuição de absorventes em locais públicos.
Tabata Amaral defendendo seu projeto para distribuir absorventes em locais públicos.

O que podemos fazer para combater a pobreza e caminharmos rumo a dignidade menstrual?

Nós aqui da Herself sempre buscamos chamar atenção e conscientizar quem nos acompanha sobre o que podemos fazer para alcançar a dignidade menstrual, que, na prática, significa que todas as meninas e mulheres tenham acesso a protetores menstruais, educação e maneiras de manejar a saúde menstrual de forma adequada. Por isso, queremos compartilhar um manual para você também conseguir agir!

Mas antes, que tal conferir o que viemos fazendo?

Enquanto nós nos responsabilizamos por conscientizar quem nos acompanha sobre o assunto, a Herself Educacional – nosso braço aqui da Herself voltado para educação – vem colocando em prática algumas ações. A partir do modelo cruzado (a cada workshop ou curso vendido para pessoa física ou jurídica, um workshop é realizado gratuitamente com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade), conseguimos passar a Educação Menstrual adiante e dar mais atenção para a dignidade menstrual – que é urgente e precisa ser alcançada!

Com base nessas ações, todos os anos enviamos relatórios para o Menstrual Hygiene Day – que nos citou junto com outras organizações ao redor do mundo <3

Menstrual Hygiene Day citando Herself Educacional como agente que promove Educação Menstrual e busca combater a pobreza menstrual.
Tradução: A Herself Educacional alcançou 300 meninas e mulheres com ações de educação menstrual em 2018. Para 2019, mais de 1000 pessoas serão impactadas! Seguimos!

O relatório com as ações de 2019 ainda não saiu, mas seguimos em contato com o movimento global e reportando todas as práticas 😉

Sugestões de leitura:
Educação Menstrual no cárcere: aprendizagem e autonomia
Como abrimos diálogo sobre menstruação produzindo bioabsorventes

Além disso, também somos uma das colaboradoras do Encontro Latino-americano de práticas de Educação Menstrual, que aconteceria nesse mês na Colômbia mas, por conta da COVID-19, precisou ser adiado. Apoiamos o encontro porque acreditamos que seja super necessário manter uma unidade de ação aqui na América Latina, com foco na nossa realidade <3

E, finalmente, vamos ao Manual?

Manual da Ativista Menstrual

Sabia que você também pode ajudar a caminharmos em direção da dignidade menstrual? Por isso, preparamos com todo cuidado um manual para guiar as suas ações e te tornar um agente ativo no combate à pobreza menstrual. Vem conferir 🙂

#1. Fale as palavras “menstruação”, “período menstrual”, “absorvente”, “calcinha menstrual”, “vagina”, “vulva”, etc. 

Não usar eufemismos faz com que o assunto seja mais natural e facilita os diálogos entre a sua rede. 

Sugestão de leitura: Por que você fala “naqueles dias”? Fale “menstruação”!

#2. Doe protetores menstruais para mulheres que precisam. 

Que tal deixar absorventes descartáveis na sua bolsa para doar pra possíveis mulheres e meninas em situação de rua que encontrar a caminho do seu trajeto diário ou ida ao supermercado? 

#3. Organize uma rede de distribuição de protetores menstruais. 

Além das doações pontuais, você pode ampliar o impacto conversando com a sua comunidade, associação de bairro ou ONGs para criar pontos de coleta de absorventes. 

#4. Cobre políticas públicas. 

Fazer a nossa parte é essencial, mas quando se trata de problemas estruturais, são as políticas públicas – ou seja, ações dos nossos governos para nós, cidadãs e cidadãos – que podem agir melhorando estruturas de saneamento básico, disponibilizando protetores gratuitos e dando acesso à educação. 

#5. Compartilhe e proponha reflexões na sua rede. 

A menstruação ainda é um tema tabu e invisível pra muita gente. Por isso, trazer à tona o assunto como pauta de saúde pública é essencial. Compartilhe informações e abra diálogos com a sua rede. 

E aí, gostou? Que tal compartilhar com a sua família e amigos para conseguirmos conscientizar mais pessoas sobre a pobreza menstrual? 😉

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