Por que viajar sozinha mudou minha vida

Por que viajar sozinha mudou minha vida

Esse ano eu viajei sozinha. Dizer isso me enche de amor! Essa é uma frase engraçada de escrever porque no ano passado, nessa mesma época, se alguém me falasse que iria para Paris em janeiro de 2018 eu iria rir alto. Eu nem imaginava que essa oportunidade iria surgir e que eu seria corajosa o suficiente para receber ela de coração aberto, mas acredito que as melhores coisas aconteçam dessa maneira. Viajar sozinha não é mais só uma frase ou uma ação para mim: virou um mantra de empoderamento e amor próprio, vocês nem imaginam o quanto! É um reflexo da melhor coisa que já aconteceu na minha vida e do quanto eu sou incrível e capaz de fazer com que minha história seja um compilado de momentos maravilhosos que foram guiados por mim mesma.

 

Meu nome é Renée, tenho 22 anos, sou publicitária, uma pessoa apaixonada por coisas bonitas e intensa até a última batida do coração. Eu sou canceriana, sentimental e muito presa ao conforto do meu lar e ao colo das pessoas que eu amo, e sempre achei que isso pudesse ser um empecilho se eu tivesse que ficar muito longe em algum momento. Até janeiro desse ano eu nunca tinha viajado, nem para fora do meu estado. Nem dentro do próprio estado, na verdade. Eu também não sou rica. Fiz cursos técnicos e atualmente faço faculdade graças à bolsas de estudo e trabalho desde os 16 anos. Minha mãe é dona de casa e meu pai é agente funerário aposentado. Essa viagem é algo que eu gosto muito de compartilhar com outras pessoas pois, se eu consegui, todo mundo consegue por mais que pareça inconcebível. Nada é, na verdade.

 

Viajar foi muito importante porque acabei descobrindo muita coisa sobre mim mesma. Vi que sou uma pessoa comum, que tudo bem eu me sentir diferente e que é normal não gostar das coisas que todo mundo gosta. Parece simples, mas vou explicar melhor: eu tenho uma relação complicada com Porto Alegre. Eu não me sinto e nem nunca me senti pertencente a esse lugar. Não tenho nenhuma conexão especial com a cidade e mais me distancio do que me identifico com o estilo de vida das pessoas e a própria rotina urbana.


Sempre me senti muito desconfortável com isso, achando que eu era somente uma pessoa estranha e que bastava me “forçar” para gostar das coisas. Tenho certeza que tudo isso surgiu porque sou cidadã do mundo, e não só de uma cidade. Todo lugar é meu e eu sou de todo lugar. A rotina é algo que me machuca muito, vai deixando meu coração mudo aos poucos. Acredito que viajar tenha sido finalmente a forma que encontrei de reiniciar minha mente, presentear meu corpo e alimentar minha alma de inspiração para que a rotina da volta seja mais prazerosa. As pessoas resumem tudo a uma bolha tão pequena, mas o mundo é muito maior do que a nossa casa e o nosso bairro. Pessoas e lugares existem em todas as formas, cores e jeitos, então não se sinta mal se você também não corresponder ao jeito daqueles que você convive.  “A cidade onde vivemos nos reduz a um único personagem, aquele que foi formatado pela rotina.” (Um Lugar na Janela 2, Martha Medeiros)

 

Essa viagem é algo que eu quero compartilhar com muitas pessoas, principalmente mulheres. A gente sabe que tudo para nós é duplamente mais difícil. Nós sentimentos medo de lugares desconhecidos mais do que qualquer homem sentirá um dia, somos ensinadas desde pequenas que não somos pessoas inteiras (metade da laranja) e somos desencorajadas a fazer qualquer coisa que saia, mesmo um pouco, do limite do que é considerado feminino, como se SER MULHER fosse algo simples para caber em uma só caixa.

 

Um ano atrás eu não conseguiria imaginar direito que isso iria acontecer, tanto por falta de dinheiro quanto de insegurança. Mas foi! E foi a melhor coisa que eu poderia fazer. Foi libertador ver que o mundo é enorme e está de braços abertos para nos receber, e desejo que outras mulheres vejam que é possível fazer coisas que pareçam inalcançáveis. Quero que elas passem a enxergar que podem (e devem) aproveitar as próprias vidas da forma que acharem melhor. Bom, viajei! Com muitos boletos no caminho, freelas simultâneos, salário desemprego e um empréstimo por parte dos meus pais, fui para Paris sozinha e descobri que tudo é muito maior do que qualquer apego e medo que a gente tenha.

 

Hoje, na esperança de empoderar nem que seja um pouquinho vocês, vim aqui listar 6 motivos sobre o porquê dessa experiência ter sido empoderadora e ter mudado minha vida!

 

1) Me descobri mais independente e capaz do que eu imaginava

Estar do outro lado do mundo sozinha, sem ninguém para me socorrer de “perrengue”, com dinheiro contado e pouca noção do idioma, me mostrou o quanto sou capaz. Às vezes eu duvido muita da minha capacidade de fazer as coisas sozinha e corretamente, mas não tinha ninguém para me socorrer tão longe né? Nunca havia ficado tão longe de casa e por tanto tempo, e viajar sozinha me mostrou o quanto sou capaz de cuidar de mim mesma e de resolver o que preciso resolver sem medo! Tive que aprender a lidar com várias situações diferentes e isso aumentou minha autoestima.

 

2) Nunca me senti tão eu mesma

Viajar sozinha me deu muito tempo para pensar sobre quem eu sou, o que eu quero e para onde pretendo ir. Me colocou no centro de todas as minhas escolhas e experiências. Eu fiz muita coisa que amo (ir a museus, tomar cafés, andar sem rumo) e isso me aproximou muito de quem eu realmente sou. Antes, eu tinha passado muito tempo tendo que fingir algo que eu não era por causa de um ambiente hostil de trabalho e também me afastando das coisas que eu amava fazer por causa da depressão. Viajar fez eu me reencontrar com essa pessoa que eu tanto amo: eu mesma!

3) Sou a melhor companhia que eu poderia ter

A viagem fez que meu amor próprio aumentasse bastante! Em Paris eu conheci pessoas queridas e saí bastante com um amigo colombiano, que foi uma figura importante nessa viagem e me mostrou a cidade com outro olhar, mas não tinha nada melhor do que passear comigo mesmo! Precisamos entender que somos completas sozinhas e que somos ótimas companhias para nós mesmas. Não dependa de ninguém para descobrir o mundo! Aprenda a amar seus próprios passeios sem medo. Leve você mesma para passear e almoçar em um lugar legal. Viaje sozinha. Aproveite!

 

4) Percebi que a gente não deve esperar ninguém para realizar nossos sonhos

Não espere que ninguém venha junto com você e não tenha medo de realizar seus sonhos sozinha. Não espere outras pessoas e nem deixe de fazer as coisas por causa delas. Precisamos ser prioridade nas nossas próprias vidas e pensamos mais em nós. Vá por você, não tenha medo de nada e nem fica aflita de perder ninguém no caminho. Se você perder, é a vida e provavelmente nem valia a pena. Não deixe oportunidades passarem e siga sua intuição.

 

5) Percebi que as coisas são mais fáceis do que a gente imagina

Eu me preocupava muito com as conexões entre os voos, se iria me “encontrar” nos aeroportos, se conseguiria me comunicar com outras pessoa na França e se iria aprender a usar o metrô em Paris sem me perder. Tudo isso causou muito estresse desnecessário antes da viagem, porque conforme as coisas foram acontecendo tudo fluiu muito bem! Tudo foi mais fácil do que imaginei e eu consegui contornar muito bem as situações onde senti dificuldade. Fique tranquila!

 

6) Economizar é importante

Eu gastava dinheiro com muitas coisas momentâneas e consumia de forma irresponsável e inconsciente. Conhecer o outro lado do mundo mudou minha visão sobre os gastos, pois vi que se a gente juntar o dinheiro que gastamos no desnecessário do dia a dia podemos fazer algo muito maior e incrível, como viajar! Valerá muito a pena andar mais de ônibus e levar seu almoço para o trabalho depois que você ver no que esse dinheiro pode ser investido. Afinal, existem muitos lugares lindos esperando nossas visitas, o mundo é enorme.

 

Essa é uma experiência que recomendo para todas. Ela mudou minha vida, a percepção que eu tinha de mim mesma e do mundo. Minha cabeça expandiu e meu coração amou muito a mulher que eu me tornei, que é corajosa, que corre atrás dos objetivos, que se sente completa sozinha, que pode tomar conta dela mesma e que não tem medo de sonhar e realizar suas próprias metas.

 

Dê para você mesma a chance de se perceber melhor e de conhecer o mundo, ele é todo seu também. Mas não se preocupe: nem precisa ir até a Europa para descobrir todas essas coisas! E, se precisar conversar, meu direct está aberto para compartilharmos sentimentos e trocarmos apoio @notingrata 🙂

 

Se quiser ler mais textos meus sobre a viagem, você pode ir até o Livres e Selvagens

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