A pressão estética na pele

A pressão estética na pele

Se eu pedisse agora para você descrever uma pele perfeita, como ela seria?

Ela teria uma determinada estética? Alguma textura específica? Ou dependeria do contexto?

Talvez você goste bastante da sua própria pele e sinta que ela é a pele perfeita, o que é FANTÁSTICO! Mas infelizmente as pressões estéticas estão aí e a gente sabe como elas podem ser distorcidas, cruéis e afetar fortemente algumas pessoas.

De acordo com as primeiras imagens da busca por “pele perfeita” no Google, aparentemente essa pele deve ser: jovem, sem manchas, sem cicatrizes, sem rugas, sem pelos, matificada, maquiada, sem poros. Na verdade, algumas delas sequer são parte de um rosto real e existente, pois estes nitidamente foram fabricados através da computação gráfica. E talvez isso seja nítido tanto pra mim quanto pra você, e é provável que a gente nem veja tanta beleza no que entrega toda a artificialidade existente, né? 

Mas, mesmo tendo consciência disso, como que essas imagens afetam o nosso subconsciente? Como afetam nossas medidas de bom senso?

Primeiramente: não há problema algum em querer se sentir bonita. É natural e esperado querer ser vista de forma positiva quando vivemos em sociedade. Ainda mais nós, mulheres, que fomos ensinadas durante a nossa vida inteira de que nosso grande valor reside na aparência e na leitura que as outras pessoas fazem sobre a gente. Tudo isso não se “joga fora” de repente, a gente sabe. As pressões estéticas estão por todos os lugares.

Nem entrarei no mérito de como toda essa indução age para criar necessidades “não-necessárias”, que criam um grande nicho para indústrias de cosméticos e nos fazem consumir mais e mais produtos para esconder e corrigir, mesmo que às vezes estes tragam até danos à nossa pele a médio e longo prazo.

A grande questão é a forma como essas pressões consomem a nossa vida e como podem ser potentes em nos diminuir, em nos encolher pela nossa própria percepção pessoal, em minar nossa confiança em falar em público, interagir pessoalmente com outras pessoas, aparecer em imagens, ser observada, sair na rua. Ou seja: de seguir nossa própria vida e nossas vontades.

Se sentir bonita de determinada forma (fabricada) não necessariamente é problemático ou maléfico. Agora, só conseguir viver, ficar em paz e se sentir minimamente bem e tolerável dessa *determinada forma fabricada* é.

Como a noção de perfeição age na nossa autoestima?

O tempo passa, a moda muda e nosso conceito do que é “belo” vai se modificando – às vezes, em uma velocidade um pouco menor. São fabricadas ideias do que são “pontos fortes” a serem ressaltados e “pontos fracos” a serem modificados e escondidos.

Quando falamos de pele, especialmente a pele do rosto, estamos falando de algo que está à mostra o tempo todo. A pele está em volta dos nossos olhos e do nosso sorriso, sempre junto à nossa expressão e nossa comunicação “ao vivo”. Por isso, quando a nossa pele não está nas condições consideradas como “belas”, toda a nossa autoestima fica ameaçada. E bom, autoestima vai além de tirar fotos de si mesma e conseguir postá-las nas redes; nós dependemos da autoestima para ter confiança de tomar decisões importantes para traçarmos nosso próprio destino, seja na vida profissional ou pessoal.

As imagens de “pele perfeita” que vemos o tempo todo distorcem a nossa percepção e são utilizadas contra nós. Por muito tempo, nos faltou totalmente referências de peles reais na mídia e nas redes. Na verdade, ainda não são as imagens que vemos em maior abundância, certo? Por isso, ressignificar a beleza da nossa pele não é um processo fácil e rápido.

Mas a pele, como maior órgão do nosso corpo, é ativa, sensível, não estática. Ela muda. Ela se regenera o tempo todo. Mais do que isso, ela conta partes da nossa história.

Nossa pele, nossa história

Celebrar as manchas, as marcas, a acne e tudo que é chamado de “imperfeição”: os movimentos de skin positivity (algo como “Pele Positiva”) buscam romper com o estigma e a vergonha geralmente relacionados a determinadas condições da nossa pele visível.

É possível que nossas percepções se alterem à medida que vamos tendo novas referências de beleza? Acredito que sim, pelo menos em partes. Talvez possamos partir do pressuposto de que é possível sermos mais tolerantes e gentis conosco, inicialmente. Lembram que é um processo? Pois então: ter referências nesse caminho pode ajudar bastante!

A youtuber Em Ford (@mypaleskinblog) viralizou na internet com o vídeo “You Look Disgusting” (algo como “Sua aparência é nojenta”), em que expõe alguns dos comentários que recebeu nas redes devido à sua pele com acne. Você pode assistir o vídeo aqui. Mesmo produzindo conteúdo sobre make e tutoriais de maquiagem, ela busca sempre trazer fotos suas exibindo sua pele real, para reforçar a importância de ser gentil consigo mesma e de que todos merecem viver em paz e serem felizes, independente da aparência.

 

https://www.instagram.com/p/BeTToTpFVui/

 

Uma série fotográfica do estadunidense PJ DeVito (@peterdevito) também buscou explorar vários tipos de pele, dando espaço para pessoas que usualmente não são representadas nos meios comuns de mídia. A série retrata vitiligo, acne, marcas de nascença, albinismo e todas as texturas de peles reais. Vale a pena rolar o feed 🙂

https://www.instagram.com/p/BYodAzVD36e/

Além disso, fica a indicação do TEDx da Winnie Harlow (@winnieharlow), supermodelo com vitiligo que já estrelou várias campanhas no mundo da moda. Em entrevista para a Marie Claire, ela afirmou que, na escola, era chamada de “zebra” e “vaca” pelos colegas, e que chegou a deixar de ir à escola durante a adolescência por não suportar as agressões.

“O vitiligo é uma parte de mim, é parte de quem eu sou, não é o que me define.” – Winnie Harlow*

 

 

 

E você, como enxerga as pressões estéticas sobre a pele? Elas já atingiram você de alguma forma? Se quiser dividir elas conosco, vamos adorar conversar mais <3

Um abraço e um viva ao amor próprio!

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