Sustentabilidade na menstruação

Sustentabilidade na menstruação

por Herself
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15/01/2020
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Sustentabilidade na menstruação, o que é isso?

Iniciamos o debate sobre sustentabilidade nesse texto. Ali comentamos sobre a importância de olhar de forma macro para a sustentabilidade – que vai muito além de gerar pouco resíduo.  Entendendo ela como uma visão de mundo, buscamos ser sustentáveis em todas as práticas – ou ao menos na maioria. Afinal, existem outros pontos a serem levados em conta quando falamos sobre o tema, como incentivar a economia local e valorizar a rede produtiva. Mas não é só isso!

Percebemos que muitos debates sobre sustentabilidade giram em torno apenas da questão ambiental do tema – deixando de lado a importância que o social tem. E, como comentamos, sustentabilidade também significa levar qualidade de vida para as pessoas. 

Preparamos esses textos porque várias pessoas nos perguntam se determinado protetor menstrual não é mais sustentável que os nossos. Mas será que a pergunta deveria ser mesmo essa? Talvez o verdadeiro questionamento seja: “será que protetor menstrual X não gera menos lixo que o de vocês?”. E aqui vamos ser sinceras: pode até ser! 

O que queremos trazer são protetores menstruais que façam sentido para as pessoas – tanto por quem usa, quanto por quem faz. No primeiro texto, focamos nas práticas sustentáveis ambientalmente – falando inclusive sobre gerar pouco lixo – e levando em conta o que acontece antes da Herself chegar na sua casa. Nesse segundo, o foco é na qualidade de vida das pessoas que usam ou pretendem usar Herself <3

Vamos olhar para o aspecto social da sustentabilidade na menstruação? 😉

Sustentabilidade social

Como comentamos, sustentabilidade também tem a ver com qualidade de vida. E a qualidade de vida que queremos levar é para todo mundo que esteja envolvido com a gente! Lembra quando a gente falou no primeiro texto que o primeiro fator que nos motivou a fazer protetores menstruais não descartáveis era o fator ambiental?

Logo, logo, percebemos que esses protetores já disponíveis no mercado, além de gerarem MUITO lixo, também promoviam um afastamento com nós mesmas e com a nossa própria menstruação. Afinal, não descartávamos apenas o absorvente, mas também o nosso próprio sangue. E isso não poderia ser diferente, afinal, quem está por trás desse mercado são homens que não menstruam. 

Tabu da menstruação

Além disso, eles evitavam nos mostrar sangue. Já parou pra pensar em quantas vezes você viu um líquido vermelho imitando sangue nas propagandas desses produtos? Pouquíssimas, né? Normalmente o que costumávamos ver era um protetor absorvente com um líquido azul.

Percebemos que esse mercado alimentava ainda mais o tabu social em torno da menstruação. Se eles não conseguiam nem mostrar um líquido similar ao sangue menstrual, imagina abrir diálogo sobre o assunto? Não é à toa que boa parte das pessoas que menstruam tivessem nojo do próprio sangue menstrual e o considerassem sujo. O que não faz sentido, afinal, a menstruação não tem cheiro – o odor que sentimos é proveniente do contato do sangue com os produtos químicos usados nos absorventes descartáveis. Nesse texto falamos sobre como o nojo da menstruação é cultural, o papel dos homens nesse problema e sobre a feminilidade fabricada – sem cheiros e secreções, por exemplo – que nos é cobrada.

Além disso, já parou pra pensar que os absorventes descartáveis normalmente lembram fraldas e causam alergias e irritações na pele? O período menstrual já não é confortável para muitas pessoas e esses protetores acabavam piorando ainda mais nesse sentido e contribuindo para uma visão negativa da menstruação.

Assim, percebemos que essa indústria e esses produtos eram insustentáveis não apenas ambientalmente, afinal, eles faziam com que a gente tivesse uma relação enfraquecida com nós mesmas e com a nossa menstruação. Por isso, pra gente se tornou central ajudar a ressignificar a relação das mulheres e pessoas que menstruam com o próprio sangue e com seus corpos <3 E sabia que isso é uma forma de trazer sustentabilidade para a menstruação?

Ressignificar a menstruação

Mas, gurias, como vocês ajudam a ressignificar a menstruação?

Ao contrário dos absorventes descartáveis, as nossas peças menstruais – calcinhas, biquínis e absorventes – não deixam assaduras e alergias. Além disso, a parte em contato com a virilha das calcinhas menstruais e do absorvente reutilizável é 100% de algodão – conforme indicado pelos ginecologistas -, não abafando a região íntima. Muuito mais confortável e saudável, né? E, com mais conforto e saúde, fica mais fácil não ter uma visão tão negativa do período menstrual, concorda? 

Além disso, essas peças nos ajudam a não desmarcar planos ou deixar de seguir a nossa rotina só porque estamos menstruadas. A nossa cliente Kathleen, por exemplo, segue indo na academia durante o período menstrual 😉

Já a Sandra, aproveita o nosso biquíni pra continuar surfando, mesmo menstruada.

“O fato de existir o biquíni menstrual mudou muito a maneira como aproveito o verão! Sempre achei desagradável usar um absorvente com biquíni, e há algum tempo já eu tenho receio de usar absorvente interno por conta de alergias – já que o material do absorvente é alérgico e pode causar algumas doenças. Então eu usava um protetor diário, ia rapidinho, surfava um pouco e voltava, e era bem incômodo. Com o biquíni agora é sensacional, porque eu tô muito tranquila! Vou menstruada, remo o quanto eu quero e volto pra casa bem tranquila.” (Sandra Nodari)

Conseguir seguir com a rotina, independente do dia do mês e com conforto, é qualidade de vida!

E, para fazer o melhor uso das peças, é necessário entender o próprio fluxo e por quantas horas se consegue usar o protetor. Por isso, é preciso prestar atenção em si, buscando se conhecer. E esse conhecimento acaba nos aproximando mais de nós mesmas. 

As calcinhas e biquínis menstruais e o absorvente tecnológico também são reutilizáveis, o que significa que precisam ser lavados. Ou seja, nada de jogar o próprio sangue no lixo. Com uma Herself, as pessoas entram em contato com a própria menstruação e se acostumam com isso. Assim, ressignificam o nojo em torno do próprio sangue menstrual e desmistificam a ideia de que ele é sujo

Menstruamos todos os meses. Trazer um produto que melhora a qualidade de vida – com saúde, conforto e bem-estar – de pessoas que menstruam é sustentabilidade na sua essência 😉

Acessibilidade

Mas, mesmo assim, ainda não estávamos satisfeitas! Sabíamos que muitas pessoas não tinham acesso aos nossos produtos por dois fatores.

O primeiro era por conta dos tamanhos disponíveis. Por isso, em janeiro de 2019 ampliamos a nossa grade, disponibilizando peças dos tamanhos 30 ao 60. Isso significa que tanto uma menina que teve a primeira menstruação (e que talvez nunca precise usar um protetor descartável <3), quanto uma pessoa gorda – de verdade – podem ter uma calcinha ou biquíni menstrual Herself 😉

Pra ter uma ideia da importância que foi dar esse passo, apenas 5% do varejo no Brasil produz roupas acima do manequim 46, sabia? E essa grade super ampla não funciona apenas para alguns produtos. Produzimos t-o-d-a-s as nossas peças do 30 ao 60, com todas as variações de estampa e cores. Afinal, todo mundo que menstrua tem o direito de escolher o protetor menstrual que deseja, né?

O segundo fator era o preço. A gente sempre soube que as nossas calcinhas e biquínis menstruais ainda são um investimento inicial alto para ter acesso às nossas peças e que nem todo mundo teria condições de arcar com esse custo para abandonar os descartáveis. 

Por isso, para ampliar ainda mais o acesso aos nossos produtos, lançamos, em novembro de 2019, os nossos absorventes tecnológicos – com a mesma tecnologia da calcinha menstrual – que, mesmo tendo um valor menor, ainda nos permitem seguir respeitando e valorizando toda a nossa rede produtiva 🙂

Assim, esses públicos também conseguem deixar os descartáveis de lado, ter um período menstrual com mais saúde e bem-estar e, assim, ter uma relação melhor com a própria menstruação <3 

Plurais 

Desde que lançamos as nossas calcinhas menstruais pelo financiamento coletivo – lá em 2017 – até agosto de 2019, disponibilizávamos somente peças na cor preta. Isso porque, até então, optamos por dar prioridade para a funcionalidade das calcinhas. 

Mas, com mais maturidade, e pensando sempre que colocar novos produtos em um mundo saturado de itens que rapidamente são descartados deve fazer sentido, em agosto do ano passado lançamos a coleção Plurais – calcinhas menstruais em 6 diferentes tons de nudeSempre buscamos trazer produtos que fizessem sentido para as pessoas, e a coleção Plurais não foi diferente, porque desde o início nos perguntavam se haviam calcinhas menstruais da cor da pele.

Refletimos muito sobre o por quê de, quando se fala em nude, uma única cor – clara, bege, rosada – aparece ou o motivo da pele considerada bonita – pela indústria da moda e beleza – é a branca, lisa, uniforme, sem marcas.

Pensando nisso, lançamos a coleção como um manifesto por uma moda mais plural e que reconheça a diversidade das pessoas. Afinal, a diversidade já passava pelas nossas campanhas e grade de tamanhos. Por que não trazer também em nudes que fizessem sentido pras pessoas?

Com isso, além de incentivar a reconexão com a menstruação, buscamos incentivar uma reconexão com a própria pele e com as próprias marcas. E pra gente, trazer debates políticos para a moda, diversificar, tornar possível com que as pessoas se enxerguem em um tom de pele – o que antes era permitido somente para pessoas brancas –, nada mais é do que sustentabilidade.


Na nossa visão, um produto que gera menos lixo possível não necessariamente é o mais sustentável possível. Afinal, será que ele – ou a matéria-prima para fazê-lo – está vindo de uma região muito longe ou até mesmo de outro país? As pessoas da rede produtiva estão sendo valorizadas (pontos que abordamos nesse texto)? A empresa que o produz tem um olhar sensível para as pessoas que vão utilizá-lo?

Pra gente, sustentabilidade também é entender que cada uma de nós é singular e, juntas, somos todas plurais. É entender que as pessoas são diferentes e buscar representá-las e incluí-las nos espaços e nos acessos. Estamos felizes em saber que estamos trilhando esse caminho <3

E aí, conta pra gente: já tinha pensado na importância do aspecto social para a sustentabilidade? 🙂

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