Tudo o que você deve saber antes de largar o anticoncepcional

Tudo o que você deve saber antes de largar o anticoncepcional

por Victoria Castro
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18/12/2018
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Se você pretende parar de tomar pílula, é importante tirar dúvidas e estar preparada para as prováveis mudanças que vão acontecer no seu corpo. Preparamos um manual completo para te ajudar nesse processo!

 

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No início da década de 60, quando entrou no mercado, a pílula anticoncepcional foi um dos símbolos da revolução sexual, tendo um papel importantíssimo no controle das mulheres sobre seus próprios corpos e destinos.

 

Com o tempo, questionamentos foram surgindo, e a massificação do uso de anticoncepcionais começou a distanciar as meninas e mulheres do autoconhecimento de suas fisiologias e corpos. Hoje, muitas estão optando por não utilizar hormônios sintéticos.

Como funciona o anticoncepcional

Os anticoncepcionais hormonais (ACs) são os métodos contraceptivos mais utilizados no Brasil. Entram aí a pílula anticoncepcional, as injeções mensais e trimestrais, o anel vaginal, o adesivo, o DIU Mirena (SIU), implantes… Muitas mulheres inclusive os utilizam para outros fins que não apenas “evitar bebês”.

Basicamente, a função do AC é de interromper o ciclo menstrual temporariamente. Ou seja, ele não “regula” o ciclo menstrual, como dizem por aí.

Com o AC, nossos ovários param de produzir hormônios sexuais, e por isso paramos de ciclar (ficar fértil, ovular, menstruar). Mas isso apenas enquanto estivermos usando. Ao parar o uso, os ovários voltam rapidamente a produzir hormônios.

O que acontece após parar?

Após parar de tomar o anticoncepcional (AC), você volta a ter ciclos menstruais.

Sem receber os hormônios sintéticos, os ovários rapidamente aumentam de tamanho e voltam à sua função original: produzir hormônios e amadurecer óvulos.

Ao contrário do senso comum, não há um período de “desintoxicação” dos hormônios sintéticos, pois estes são metabolizados e eliminados em questão de horas (exceto os ACs injetáveis). O que pode acontecer é a produção hormonal ficar um pouco bagunçada ao ser retomada – super normal!

Por consequência da produção hormonal retornando ao normal, várias mudanças bastante perceptíveis podem surgir no nosso corpo e até mesmo na nossa personalidade! 

Fonte: Jornal Ciência

 

Meu ciclo vai ficar desregulado?

Não necessariamente!

Primeiramente, é preciso entender o que são ciclos regulares. SPOILER: não são ciclos necessariamente com 28 dias sempre.

Ciclos regulares são, em sua maioria, ovulatórios e com duração total entre 24 e 35 dias – tolerando uma pequena variação, claro.

O ciclo regular nem de longe precisa ter necessariamente 28 dias. Na verdade, esse número não significa nada, é só uma média didática o suficiente para usar em livros de biologia.

Pra ser regular, também não precisa ter sempre o mesmo número de dias. Se num mês você tem um ciclo de 29 dias, no outro um de 31, depois um de 30, depois um de 27, você possui sim ciclos regulares. Afinal, a variação entre eles é de poucos dias.

É possível dizer que pessoas com ciclos que variam mais de 10 dias um pro outro têm ciclo irregular. Por exemplo: você tem um ciclo de 24 dias num mês, no outro um de 45 dias, seguido de um ciclo com 30 dias.

Irregularidade no período pós AC

Ficar com os ciclos de fato irregulares após parar o AC é comum, sim! Mas também é comum ficar com eles regulares. Não existe regra – logo, não acredite se te disserem que necessariamente os ciclos vão ficar “malucos”, ok?

O que pode ser uma boa pista é:

  • Se você costumava ter ciclos regulares antes de iniciar o uso do AC, existe uma tendência para que eles voltem a ser regulares. Talvez imediatamente, ou talvez demore meses ou até anos para isso.
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  • Se você costumava ter ciclos irregulares antes do AC, é provável que eles voltem a ser irregulares. PORÉM, existe sim chance de eles retornarem de forma regular – ainda mais se você iniciou o uso já no final da adolescência, quando os ciclos irregulares típicos da fase já estão se encaminhando para ficarem regulares. Ainda assim, não tem como prever.

E ah: a regularidade ou não dos ciclos pós-AC não tem relação direta com o tempo de uso dele!

Quanto tempo após parar o anticoncepcional posso engravidar?

Justamente por não podermos prever em quanto tempo a pessoa irá ovular após interromper o AC, não há como cravar um número de dias, ainda mais porque gravidez é um jogo de probabilidades que depende de MUITOS fatores.

Entretanto, o esperado é que seu corpo retome a fertilidade imediatamente após a interrupção do AC.

Portanto, você pode vir a engravidar no mesmo mês que largou o AC. E não é algo raro! Simples probabilidade.

Se não é a sua intenção engravidar e você usa a pílula para prevenir gravidez, é extremamente necessário se organizar com outro método contraceptivo e estar habituada a ele quando interromper o AC.

Posso parar de tomar a pílula no meio da cartela?

Sim! Como não existe ciclo menstrual com o AC, todos os dias são “iguais”, basicamente.

Só não esqueça de descartar o restante da cartela em um lugar específico – no caso, direto em uma farmácia. JAMAIS jogue os comprimidos no lixo comum ou no vaso/pia, pois medicamentos são extremamente poluentes no ambiente.

Fonte: RepórterMT

Preciso ir ao médico antes?

Minha opinião pessoal, considerando que você não tenha nenhuma condição hormonal/reprodutiva que precise de acompanhamento constante: não.

Para quem possui ovários, ter ciclos menstruais é tão fisiológico como respirar para quem tem pulmões.

Logo, não é necessária uma “permissão médica” para que seu corpo funcione como naturalmente funciona. Mas claro: isso se não houver alguma condição como um cisto ovariano, endometriose, Síndrome dos Ovários Policísticos (diferente de cistos) que necessite de um cuidado maior.

Se você usa anticoncepcional com indicação médica por algum motivo específico, é altamente recomendado que você converse com sua(seu) médica(o) de confiança para que, juntas(os), vocês consigam optar por uma estratégia.

A DICA DE OURO: planeje-se e esteja preparada!

Contracepção

“Quero parar, mas morro de medo de engravidar!”

Se você utiliza o anticoncepcional para evitar gravidez e quer continuar evitando, é extremamente necessário que você substitua o AC por outro(s) método(s). Inclusive, é preciso que você escolha e procure já estar protegida quando parar a pílula – afinal, como vimos antes, o efeito do AC não é cumulativo e não funciona “por um tempo” após interrompido.

Os métodos reversíveis (ou seja, que não sejam a laqueadura e a vasectomia, que são definitivos) não-hormonais mais famosos são o DIU de cobre e a camisinha, ambos fornecidos gratuitamente pelo SUS. Ainda há opções de métodos comportamentais, de percepção da fertilidade e outros métodos de barreira, como o diafragma. Voltaremos a falar sobre eles em breve aqui no blog 🙂

Antes de largar o AC, estude. Você precisa compreender o que é a taxa de falha em uso típico e em uso perfeito, e comparar estas taxas de falhas de cada método. A partir daí, você conseguirá tomar a melhor decisão de acordo com as suas intenções e necessidades. É importante considerar, também, que usar dois métodos compatíveis juntos é mais seguro do que usar apenas um.

Indico esse resumão sobre contracepção não-hormonal do Modefica para quem quer mergulhar bem informada nesse processo de – também – autoconhecimento.

Pele, pelos e cheiros

Pode acreditar: em pelo menos um destes, você vai perceber a diferença. Isso porque, com o aumento da testosterona – antes bloqueada pela maioria dos ACs -, a pele fica mais oleosa, os pelos crescem e engrossam e o nosso cheiro tende a ficar mais forte.

Principalmente no que se refere a pele, há uma fase crítica da oleosidade e acne entre 3 e 6 meses após parar o AC. Antes, as glândulas responsáveis pela oleosidade da pele estavam praticamente dormentes; de repente, retornam a todo vapor.

E nesse momento, é esperado que elas ainda não consigam regular muito bem a produção, tal como na adolescência. Sim, pode ser um teste de resistência, mas nessa fase paciência é fundamental.

Não existe milagre que nos livre de todo o mal, mas a acne pós pílula pode ser prevenida e controlada pela alimentação (sempre ela!). Esse texto dá algumas dicas legais em relação a isso e pode ser um manual de sobrevivência nessa fase.

 

Illustration: Dearbhla Kelly

Libido

Sabidamente, os anticoncepcionais são potentes diminuidores do desejo sexual e esse efeito colateral é sentido por muitas mulheres. Assim, ao parar, o restabelecimento do equilíbrio dos hormônios naturais e saudáveis não podia deixar de impactar a libido, né? A testosterona tem papel fundamental na excitação sexual, na lubrificação e também no humor e na saúde como um todo!

Logo, se nos últimos tempos até o movimento de um ventilador estava mais interessante do que o sexo pra você – que, por sua vez, desconfia que o AC seja o responsável – saiba que é provável que a libido retorne após a parada do AC. Aproveite! (de forma responsável, claro!)

TPM e cólicas

Mais um quesito imprevisível: elas podem vir com tudo ou, surpreendentemente, melhorarem bastante! Na minha experiência pessoal, a TPM sumiu após a parada do AC e as cólicas, que durante o uso eram sofridas, melhoraram MUITO. Pra saber, só testando e estando mental e fisicamente preparada.

Se você está com medo de cólicas dolorosas e uma TPM aterrorizante após a parada, leia esse texto com dicas para ter ciclos menstruais mais confortáveis, que pode ajudar bastante.

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

Antes de mais nada, é preciso ter consciência de que a SOP é uma síndrome metabólica, e não ovariana. Ou seja: a causa não está nos ovários. Eles apenas manifestam os sintomas de alguns tipos da síndrome. Inclusive, ter ou estar com os ovários com aparência policística não caracteriza, isoladamente, a SOP.

Portanto, se você foi um dia diagnosticada com SOP através de uma única ultrassom transvaginal, procure uma segunda opinião. Preferencialmente, de um endocrinologista.

A SOP não tem cura, mas pode ser controlada com dieta específica e exercícios físicos na maioria das vezes. O anticoncepcional não trata a SOP, apenas mascara alguns dos sintomas mais visíveis dos tipos mais comuns da síndrome. Se quiser saber mais, inicie por este texto sobre a SOP.

 

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Abraço, Vic.

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