E se você não pudesse comprar protetores menstruais?

E se você não pudesse comprar protetores menstruais?

por Fran Bittencourt
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26/09/2018
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O tabu em torno da menstruação, o qual aprofundamos neste texto, é um obstáculo para o livre diálogo sobre esse tema, que encontra barreiras tanto dentro de casa quanto fora dela.

Por isso, em muitos países do mundo, as mulheres encontram dificuldades para ter acesso a informações sobre a menstruação, e o resultado de não conversarmos e debatermos sobre as necessidades das mulheres é que a menstruação se tornou um assunto de saúde pública.

Nos países com distribuição de renda mais igualitária, as mulheres têm saneamento básico, orientação profissional e produtos de higiene íntima para escolherem de que forma gostariam de passar seu período menstrual. Já em países em que há expressiva desigualdade de renda, o acesso a informações e a protetores menstruais é escasso.

Fonte: www.theindianfeed.in

A BBC fez uma reportagem sobre o tema na Índia, onde a menstruação é vista como impura e as mulheres não devem ser tocadas durante esse período. Além disso, são impedidas de entrar em templos, de se sentar com outras pessoas e até de frequentar certos ambientes de suas casas, como a cozinha.

Alguns dados são alarmantes: uma em cada cinco garotas deixa a escola por causa da menstruação, o que prejudica seus estudos e aumenta ainda mais a limitação do acesso à informação. As indianas usam panos como protetores menstruais, e a escassez de água limpa dificulta a limpeza deles, o que ocasiona doenças. Essa higiene precária aparece como causa de 70% das doenças relacionadas à reprodução.

Pensando em agir para romper o pacto de silenciamento sobre o tabu da menstruação, a ONG Goonj atua em 21 dos 30 Estados Indianos promovendo campanhas para a educação menstrual. A organização também produz absorventes acessíveis, feitos com panos reciclados, para auxiliar as mulheres indianas que não têm acesso a protetores. Estima-se que 70% delas não tenham condições financeiras de comprar protetores seguros e higiênicos.

No Brasil, as mulheres com baixa renda e em situações de vulnerabilidade também passam por dificuldades durante seu período menstrual. É o caso das mulheres no cárcere e em situação de rua.

Fonte: Divulgação

A jornalista Nana Queiroz escreveu um livro sobre o assunto, intitulado “Presos que menstruam”, no qual analisa o sistema carcerário no Brasil ao longo de 4 anos em que ela esteve em contato com detentas que enfrentam dificuldades durante o período menstrual. Ela percebeu que o governo parece esquecer as distinções de gênero, não fornecendo protetores menstruais e nem papel higiênico em quantidade adequada. Alguns presídios oferecem um pacote de protetor para o ciclo menstrual, mas as presas relatam que seus períodos menstruais são diferentes e que para as que têm um fluxo mais intenso a quantidade não é suficiente – nesse caso, as presas relatam utilizar miolo de pão como protetor menstrual interno.

A menstruação é uma experiência vivida de diferentes formas, de acordo com a condição financeira e o acesso a informações sobre o assunto.

O tabu menstrual precisa ser quebrado para que o pacto de silenciamento em torno da menstruação seja rompido.

E o que eu posso fazer?

Existem campanhas que arrecadam produtos de higiene íntima para mulheres em situação de vulnerabilidade no Brasil. Além disso, você pode iniciar sua própria campanha de arrecadação e direcionar as doações para presídios, orfanatos e para mulheres em situação de rua na sua cidade.

Conversas sobre a menstruação em casa, com seus pais, e na rua, com seus amigos, ajudam a naturalizar o tema e a desmistificar esse tabu.

Vamos dar o primeiro passo?!

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