O dia da menina e o nosso papel para a igualdade de gênero

O dia da menina e o nosso papel para a igualdade de gênero

por Fran Bittencourt
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17/10/2018
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O “dia da menina” surgiu através de uma resolução proposta pelo Canadá à ONU, aprovada em 2011. O dia 11 de outubro foi escolhido para lembrar que meninas do mundo todo começam a sofrer violências e desigualdades ainda na primeira infância. O objetivo, então, é propor reflexão e motivar ações de políticas públicas para essa temática.

Em 2013 foi realizada uma pesquisa nas cinco regiões do Brasil, chamada “Crescendo entre direitos e violências”. Com mais de 1.700 meninas, de 6 a 14 anos. Os resultados dessa pesquisa apontam para um cenário de desigualdades infantil, no qual as meninas começam a sentir as diferenças de gênero dentro de casa.

Alguns dados dessa pesquisa:

  • Enquanto 76,8% das meninas lavam louça e 65,6% limpam a casa, apenas 12,5% dos seus irmãos homens lavam a louça, e 11,4% dos seus irmãos homens limpam a casa.
  • 37,7% das meninas brasileiras acham que, na prática, meninas e meninos não tem os mesmos direitos.
  • Uma em cada cinco meninas conhece outra que já sofreu violência, e 13,7% das meninas de 6 a 14 anos trabalham ou já trabalharam.

São essas desigualdades, que começam na infância, que futuramente atingem proporções maiores: Em 2017 foram registrados 606 casos de violência doméstica por dia no Brasil. Outro resultado dessas desigualdades aparece na diferença salarial: o salário que as mulheres recebem é menor do que o dos homens: segundo dados do IBGE no Brasil em 2018 as mulheres ganham 77,5 do salário dos homens.

E será que as crianças percebem essas desigualdades? Nesse vídeo é feita uma dinâmica, na qual as meninas e os meninos executam a mesma tarefa e recebem recompensas diferentes por isso. Você pode conferir suas reações aqui.

Enquanto lia os dados dessa pesquisa me lembrei das histórias que minha mãe contava de sua infância. Ela nasceu no interior do Rio Grande do Sul, em 1954. Tinha 5 irmãos homens e 1 irmã mulher. As tarefas de casa, bem como cuidados com a alimentação dos irmãos eram feitas por ela e sua irmã. Enquanto as duas meninas cuidavam da casa, os meninos trabalhavam na fazenda. Ela conta que se sentia bem atarefada e que cuidar da casa não era tão simples assim, são muitas as tarefas que envolvem gerenciar um lar.

Minha mãe foi criada em um contexto no qual era bem clara a diferenciação de responsabilidades. Quando ela se tornou adulta se mudou para a capital, foi lá onde eu nasci. Apesar de ter sido criada nessa realidade, minha mãe me passou valores diferentes e me proporcionou muito tempo livre para brincar. Hoje entendo o quanto esse gesto é significativo para permitir que as crianças se desenvolvam em seu próprio tempo.

Imagem: Robson Vilalba

Para construir um cenário de igualdade de gênero ainda na infância podemos começar transformando nossos próprios pensamentos e atitudes. Por exemplo: ensinando às crianças que não existem cores e profissões de meninos ou de meninas. As cores, assim como as profissões, são neutras e podem ser usadas e praticadas pelos dois. Outro exemplo é em relação às brincadeiras, elas também são estimuladoras de comportamento.

Perguntamos no instagram que atitudes as mulheres têm praticado em casa pra diminuir as desigualdades e essas são algumas das suas dicas:

  • “Sempre digo ao meu filho que ele pode tudo, e que meninas também podem, que não existe coisa de menino e menina.”
  • “Crio meu filho de 3 anos para tratar as mulheres como iguais.”
  • “Trabalho em uma auto peças, faço troca de óleos e baterias automotivas, tudo isso de unha feita, hahaha.”
  • “Eu e meu namorado dividimos todo o serviço de casa, respeitando o que cada um gosta mais de fazer!”
  • “Sou mãe de menino e fui muito questionada quando comprei para ele uma vassoura e uma pá.”
  • “Eu gosto de falar com meninas quando crianças, tentando desconstruir o preconceito que a sociedade coloca.”

Cresci ouvindo que brincar de boneca e de casinha era coisa de menina, mas meninos também se tornam pais e cuidadores do lar, portanto, também podem aprender e se divertir com essas brincadeiras. É essa naturalização que vai ajudar com que os homens já adultos percebam que também são responsáveis pela educação dos filhos e pelo gerenciamento do lar.

E por aí, que atitudes você tem tido para diminuir as desigualdades entre mulheres e homens? Conta pra gente nos comentários!

Um abraço, Fran!

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