Os 10 mandamentos da sororidade: como se tornar uma mulher que levanta outras mulheres

Os 10 mandamentos da sororidade: como se tornar uma mulher que levanta outras mulheres

por Victoria Castro
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05/03/2019
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Quantas vezes você já ouviu que “mulheres não são tão boas amigas quanto os homens, pois são mais falsas”? Ou viu a ex do seu/da sua atual como uma “rival”?

À primeira vista, a palavra “sororidade” parece diferente e pouco usada no nosso cotidiano – e, de fato, é, certo? Porém, nos últimos anos, movimentos feministas começaram a trazer esse termo nos meios virtuais e na prática, por o termo representar algo lindo e extremamente necessário nas nossas relações com outras mulheres.

O que é sororidade?

A sororidade deriva do latim soror, que significa irmã. Em resumo, sororidade é a irmandade entre as mulheres.

Quando falamos em “irmandade”, estamos falando em rede de apoio, e de reconhecermos que, como sujeitos sociais, às vezes temos mais semelhanças que diferenças (pessoais). Afinal, crescemos com cobranças e estereótipos que pesam a todas nós, e causam sofrimentos muitas vezes parecidos, né?

Faz muito mais sentido nos vermos como aliadas, e não como inimigas.

Através da sororidade, podemos repensar a nossa visão e relação com outras mulheres. E aqui, não se refere apenas às suas amigas, familiares e outras mulheres apenas do seu círculo, e sim de ver TODAS as mulheres como dignas de respeito e de apoio quando preciso.

Mas, na prática, como ser mais sororária? Preciso apoiar tudo que outras mulheres fazem, mesmo que eu não concorde? Tenho que gostar de todas as mulheres apenas por serem mulheres?

Os 10 Mandamentos da Sororidade

Ilustração: Renata Moroni (Herself)

1) Não é concordar com tudo

Não, você não precisa concordar com tudo o que outras mulheres pensam ou fazem, e muito menos forçar amizade com pessoas com quem você não tem afinidade.

A questão é não detestá-la apenas pelo fato de ser mulher, ou por fazer coisas que você acredita que uma mulher não deva fazer.

É não ser cruel, nem tentar sabotar ou “destruir” outras mulheres, nem achar aceitável que outra mulher sofra algum tipo de violência apenas por ter divergências pessoais ou de opinião/crenças diferentes dela. Simples assim.

2) Esqueça a “competição”: evite comparar a aparência de mulheres

Um do pilares do machismo é a venda da ideia de que nós somos “rivais”. E rivais para… conseguir a atenção masculina a todo custo.

SÓ QUE NÃO, NÉ? Convenhamos, somos mais do que isso. Bem mais!

Quando comparamos a aparência física de duas ou mais mulheres, além de estarmos sustentando essa ideia de que somos rivais, estamos indiretamente colocando a beleza como a maior e melhor qualidade que uma mulher pode ter, como se esse fosse o grande objetivo feminino e o que devemos buscar a todo custo.

Isso é diminuir nossas potencialidades e anular nossas particularidades – inclusive na própria aparência, já que não existe um só tipo de beleza.

3) Revise as picuinhas e evite as alfinetadas

É muito importante começar a rever quais brigas valem a pena “se comprar” e quais são baseadas em picuinhas ou rivalidades pessoais, baseadas unicamente na emoção.

Quais discussões são baseadas na racionalidade? Elas podem resultar em aspectos positivos e construtivos para as envolvidas? Ou são “ranço gratuito”?

Inclusive, dica master: não faça ou sustente fofocas, especialmente entre mulheres.

Sempre faça o exercício de tentar se colocar no lugar da outra pessoa. Às vezes estamos passando por várias situações difíceis e as pessoas nem imaginam na hora de “apontar o dedo”, certo?

Ao evitar fofocas, você evita a possibilidade de espalhar, sem querer, inverdades sobre outra pessoa – aquela coisa de telefone sem fio, sabe? Dessa forma, você reduz, indiretamente, a chance de acabar sendo vítima de fofocas também. Pode acreditar, por experiência própria: sua vida vai melhorar muito!

4) Procure tirar alguns termos do vocabulário

Já reparou como a maioria dos xingamentos destinados a outras mulheres se referem ao seu comportamento sexual?

A forma de se expressar, se vestir e até se maquiar é constantemente relacionada a um suposto comportamento sexual, que por sua vez é utilizado para constranger essas mulheres.

Quando chamamos uma outra mulher de “vagabunda”, “vadia”, “oferecida” ou mesmo “santinha”, “moralista” ou “mal comida”, estamos especulando sobre seu comportamento sexual e tentando utilizar o sexo contra ela. E, veja bem: muitas vezes se baseando em fofocas! Sim, porque dificilmente estamos o tempo todo com essa pessoa e sabemos exatamente o que ela faz na sua intimidade.

E mesmo que estivéssemos, vale se perguntar: como o comportamento sexual de outra pessoa me incomoda? Deveria me incomodar?

Por que usar o sexo, algo natural do comportamento humano, para constranger alguém que não gosto? Seja por achar que ele é feito em “excesso” ou “pouco”? (isso existe????)

Por que a forma de outra mulher se vestir, falar e se expressar me incomoda – considerando que não sou obrigada a ser amiga dela caso não tenhamos afinidade? Todas essas coisas não definem o caráter de alguém.

Portanto, busque evitar usar esses termos como “xingamentos”. Lembre-se que infelizmente nenhuma de nós é imune de ser vítima desse tipo de ofensa, independente da nossa conduta. Fora que é super desrespeitoso com as decisões individuais de cada uma, né?

5) Talvez a ex dele(a) não seja louca

“Louca” é outro termo que devemos evitar por vários motivos. Um deles é que, além do estigma relacionado ao campo da saúde mental, mulheres são constantemente chamadas de loucas por simplesmente… exporem sua opinião. Ou ficarem irritadas com alguma situação (quase sempre com bons motivos).

Em outras épocas, éramos chamadas de loucas por falarmos, por usarmos argumentos racionais, por escrevermos, por praticarmos esportes. Na verdade, em vários lugares e em vários momentos isso ainda acontece.

Muitas de nós, em algum momento, nos envolvemos com alguém que diz que o relacionamento anterior terminou pois “a ex era louca”. Nenhuma autocrítica ou explicação, apenas por que ela “era louca”.

Sei que pode parecer forte o que vou dizer, mas se alguém falar isso pra você, ligue o alerta. É possível que a próxima a ser taxada de “louca” venha a ser você. Leia esse texto.

6) Cuide de uma mulher que não esteja bem

Tá no rolê e uma mulher desconhecida parece estar muito bêbada? Mal, vulnerável? Se ela estiver sozinha, tente se manter por perto e mantê-la segura até ela estar melhor ou conseguir ir para um lugar seguro. Infelizmente, existe muita gente mal intencionada por aí, e você pode ser o “anjo da guarda” de alguém.

A mesma coisa vale para casos em que uma mulher seja vítima de violência. Denuncie sempre para as autoridades. Não se omita. Se for seguro para você – ter segurança para poder ajudar é fundamental, não se arrisque e não se exponha ao risco de sofrer violência também -, ofereça companhia para ir à delegacia e incentive a denúncia e o pedido de medida protetiva, se necessário.

7) Elogie e incentive outras mulheres

Não precisa ser forçado ou inventado: o processo de aprender a admirar mulheres e enxergar qualidades além da aparência, por exemplo, é bastante individual. Mas siga por ele!

Elogie a capacidade da sua amiga de analisar objetivamente situações. Elogie seus dotes artísticos. Elogie sua sensibilidade. Sua coragem. Sua energia fantástica e contagiante. Seu humor. Seu gosto literário. Sua organização. Suas habilidades no futebol. Enfim, tanta coisa possível!

Incentive outras mulheres a realizarem seus projetos. Mostre que acredita no potencial delas. Quando entendemos e vivemos a sororidade, vemos na prática como estimular outras mulheres se converte em benefícios a nós mesmas. Quando você fortalece outra mulher, está se fortalecendo também, é fato.

Somos incentivadas a competir, sendo que quando cooperamos umas com as outras, criamos coisas incríveis juntas! Esqueça a lógica da escassez: nós somos abundância. Somos potencialidade, quando juntas multiplicamos a nossa força e tudo que podemos criar e usufruir!

8) Consuma o feminino

Valorize as histórias e as narrativas femininas. Leia o ponto de vista de mulheres. Leia autoras, veja filmes dirigidos por mulheres e/ou protagonizados por mulheres.

Seja audiência para o esporte feminino (atletismo, futebol, etc). Leia a ciência produzida por mulheres. A arte produzida por mulheres. Apoie negócios locais de mulheres – compre o cachorro quente da mulher que faz no carrinho da esquina! Dê preferência!

9) Indique uma mulher

Afinal, não basta só consumir, né? Tem que divulgar as coisas boas!

Conhece uma mulher super competente no que faz? Indique seu trabalho para outras pessoas quando tiver oportunidade.

10) Mantenha-se perto de outras mulheres

Esteja aberta para aprender com outras mulheres e aproveitar sua companhia. Mulheres são e fazem coisas incríveis, e muitas vezes são pouco valorizadas e reconhecidas por isso.

Ter mulheres por perto, quando a relação é saudável e livre de rivalidades, é algo que nos fortalece. É a famosa rede de apoio que falamos lá no início do texto – e que é viver a irmandade feminina de fato!

Além disso, nos mantermos juntas e próximas é uma forma de proteção em relação a relacionamentos abusivos, por exemplo, que muitas vezes desencadeiam em um intenso isolamento.

Valorize a companhia das minas!

“Mulheres são como as águas, crescem quando se juntam”.

 

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