Por que chamamos as calcinhas e biquínis Herself de MENSTRUAIS ao invés de ‘absorventes’

Por que chamamos as calcinhas e biquínis Herself de MENSTRUAIS ao invés de ‘absorventes’

por Victoria Castro
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25/12/2018
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Vamos falar de protetores menstruais e o tabu da menstruação?

Se você nos acompanha há um tempo, e principalmente se acompanha o mercado de protetores menstruais, já deve ter notado que a Herself opta por chamar as calcinhas e biquínis de “menstruais”, em vez de usar a palavra “absorvente”. Já adianto: não é à toa!

 

Espera aí… Menstruais?

Para quem está tipo “cheguei agora, não entendi”:

Isso mesmo! Uma calcinha ou um biquíni menstrual são peças tecnólogicas e reutilizáveis capazes de substituir o uso de absorventes ou coletores menstruais, sendo tipos de protetores que retém o fluxo menstrual.

Ou seja: você veste as peças como uma calcinha ou um biquíni/maiô normal, usa por até 12 horas, lava e pode utilizar novamente por várias vezes, com a garantia de um toque seco e uma ação antimicrobiana que controla odores.

 

A história da Herself e a abertura de diálogos necessários

As calcinhas e biquínis menstruais da Herself nasceram de uma proposta de cocriação – ou seja, uma criação junto – com as mulheres do Brasil. Desta forma, pôde ser criado um produto 100% nacional, autoral e que de fato busque sempre atender as necessidades das brasileiras.

Neste meio tempo, junto ao processo de cocriação, uma vontade sempre esteve presente: a de mudar a relação das mulheres com a menstruação. Uma vontade tão forte e presente que se tornou praticamente um pilar da Herself.

O nosso slogan Revolucione seu ciclo não é a toa: revolucionar os ciclos das mulheres é o que nos move.

De fato, ao criarmos um produto relacionado à menstruação e junto a pessoas que menstruam, fica explícita a necessidade das mulheres de terem espaços de conversa sobre seus ciclos. Precisamos entender nosso ciclo menstrual, nossos sangramentos, nossa anatomia. Desse modo, através do autoconhecimento, nos tornamos mais “imunes” a mitos e sensos comuns, quase sempre sem embasamento.

 

Revolucionar a relação com a menstruação é preciso!

Todos os tabus envolvidos com a menstruação e com a fisiologia do corpo feminino potencialmente afetam nossa relação com nossos próprios corpos.

A menstruação é vista como um “marco” do nosso corpo biológico, acabando por se estender como um marco na nossa existência como seres sociais também. Sangrar pela vagina, embora parece trivial para mulheres adultas em idade fértil, envolve experiências únicas para cada uma de nós.

Isso porque nossas próprias vivências fazem parte da nossa história. Desenvolvem nossa história. Mudam a forma pela qual vemos as coisas, como lidamos com as situações pelas quais passamos e como nos vemos como indivíduo.

Nossa experiência com a primeira menstruação (a menarca) pode oferecer uma pista sobre a nossa visão atual sobre menstruar, por exemplo. Os sintomas físicos que sentimos, nossa rotina, nossa experiência com protetores menstruais e até as diferenças regionais e culturais impactam a nossa visão em relação a menstruação.

 

Mas o fato é que, para a grande maioria, a menstruação não é vista como um evento positivo.

 

E sim, isso pode desfavorecer e muito a nossa experiência de menstruar. E ainda afetar a nossa autoestima e comprometer o autocuidado com a saúde como um todo.

 

Isso significa que preciso amar ficar menstruada?

De jeito algum!

Particularmente, sou uma defensora ferrenha do livre arbítrio e da qualidade de vida. Contra qualquer tipo de naturalização do sofrimento. Se menstruar é algo irreparavelmente ruim para você, desejo que encontre a melhor solução possível para resolver o problema, seja qual ele for. Com muita informação de qualidade, mas sem nenhum tipo de culpa. Ninguém é menos mulher, menos “iluminada” ou menos qualquer coisa por não gostar de menstruar ou ter motivos para suspender os sangramentos.

 

Dito isto, é importante levarmos em consideração que, assim como menstruar não é essencialmente bom pra todas, também não é essencialmente ruim pra todas. Não podemos “comprar” o discurso de que a menstruação como um péssimo evento ou um “castigo” seja uma verdade universal.

 

Menstruar é fisiológico, assim como respirar e fazer a digestão. Acredite: quando compreendemos esse fenômeno assim como qualquer outro do nosso organismo, já damos o primeiro passo para ressignificar a menstruação.

Vamos falar MENSTRUAÇÃO, com todas as letras? SIMMM!

De fato, utilizar a palavra menstruação quando precisamos nos referir a ela já pode ser revolucionário em nossas vidas e, melhor: na vida de outras meninas e mulheres também! Quando falamos em “monstra”, “chico” e “aqueles dias”, em muitas vezes estamos reforçando o tabu – dependendo do contexto, claro.

 

Quando assumimos a responsabilidade de trazer para as nossas pautas a higiene, saúde e educação menstrual, fazemos, como marca, questão de trazer o “menstrual” para o nome dos nossos produtos.

 

Falamos de menstruação quando precisamos. Usamos calcinhas e biquínis menstruais reutilizáveis, confortáveis, seguros e higiênicos. Neles, o nosso fluxo fica contido durante o uso, sem reagir com perfumes e produtos químicos que causam cheiro. Nós e nossa menstruação, que não é suja, mas sim fisiológica e simples.

Já quando falamos em absorventes, o quê vem em mente?

Algodão branco e inchado?

“Sangue” azul?

Limpeza?

 

Rompemos com os descartáveis, que não atendem plenamente as necessidades da maioria de nós. Rompemos com líquidos azuis que tentam simular nosso sangue que varia entre belos tons de marrom e vermelho. Por consequência, rompemos também com eufemismos.

 

Vamos falar MENSTRUAÇÃO? ♥

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