Por que ficamos tanto tempo sem evolução nos protetores menstruais?

Por que ficamos tanto tempo sem evolução nos protetores menstruais?

por Fran Bittencourt
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19/12/2018
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Fonte: Mais Intuitiva

Depois do primeiro absorvente descartável ter sido lançado no Brasil, em 1920, demorou 54 anos para termos uma inovação nesse setor. Com poucas opções, os protetores menstruais mais comuns eram o absorvente descartável e o absorvente interno. Muitas mulheres, entretanto, sentem desconfortos ao utilizarem esses tipos de absorventes – o descartável causa alergia em algumas de nós, em outras incomoda o fato de às vezes vazar na calcinha, e outro comentário comum é que ele é parecido com uma fralda e não é esteticamente bonito. O absorvente interno, por sua vez, também não é acessível para todas as mulheres, porque algumas sentem desconfortos fisiológicos ao utilizá-lo.

Se sentíamos esses desconfortos com as opções existentes, por que será que demorou tanto tempo até serem criadas novas opções? É sobre isso que vamos conversar hoje!

Linha do Tempo dos protetores menstruais

O primeiro absorvente descartável chegou no Brasil na década de 20, você já deve ter ouvido falar, se chamava “Modess”. Já em 1933 foi lançado nos EUA o primeiro absorvente interno, chamado “O.B.”, que chegou ao Brasil apenas em 1974. Essas foram as principais opções que tivemos até pouco tempo atrás!

O que muita gente não sabe é que os copinhos menstruais tiveram seus primeiros protótipos criados no período da Segunda Guerra Mundial. O grande tabu que envolvia a menstruação, entretanto, impediu que palavras como “vagina” fossem utilizadas, dificultando a divulgação do novo produto para menstruação e também a sua disseminação pelo mundo.

Desde então, tivemos um vácuo histórico na criação de novas soluções para o período menstrual: isso pode ter acontecido porque esse assunto era pouco conversado no ambiente privado (familiar) e menos ainda no ambiente público (sociedade), o que fez com que as mulheres acreditassem que esse assunto já estava resolvido. Resumindo: algumas de nós, mulheres, nos sentíamos desconfortáveis com as opções que tínhamos, porém, como aprendemos que esse assunto era para ser tratado com discrição, evitamos pensar e falar sobre isso com outras pessoas. Essa pode ser uma das possíveis causas do porque demoramos tanto tempo para ter inovação nos protetores menstruais.

As novas opções, que são reutilizáveis (ajudando, ainda, a diminuir a quantidade de resíduos a cada ciclo) ganharam popularidade recentemente, e podemos ver mulheres empreendedoras a frente dessas marcas, mostrando que são capazes de criar soluções inovadoras para elas mesmas!

O copinho menstrual, um tipo de protetor reutilizável interno, ganhou popularidade no Brasil apenas em 2015, abrindo portas para pensar em um período menstrual mais natural e confortável. Em 2016, a Herself lançou as primeiras calcinhas menstruais com origem 100% nacional e em 2018 os primeiros biquínis menstruais, com eles podemos até entrar no mar menstruadas! Quanta inovação, né?

Todas essas novidades estão reforçando a importância do diálogo aberto sobre o período menstrual, quebrando tabus sociais. Fomos criadas acostumadas a conviver com produtos que vazam e dão mau cheiro: pode ser difícil mesmo entender como soluções tão simples podem funcionar e resolver nossos problemas, não é? Nós crescemos sabendo que o ciclo era algo nosso, e não algo a ser compartilhada na sua sala de aula por exemplo. Pode parecer estranho agora essa súbita abertura ao diálogo, mas já era hora.

Conforme o diálogo sobre esse assunto vai crescendo entre as mulheres, vai aumentando também o entendimento de que a menstruação sempre foi simples, apenas não nos ensinaram a ver ela dessa forma.

Tabu Social

Desde crianças, quando ficávamos com vergonha de pegar o absorvente na escola para ir até o banheiro trocar, ou quando falávamos baixinho no ouvido de uma amiga “eu tô menstruada”, de alguma forma aprendemos que socialmente esse assunto não era muito bem recebido, e repetimos o comportamento que se esperava de nós: tratamos a menstruação com discrição.

Mas não é em todas as sociedades que esse assunto é tabu, sabia? A tribo Mbendjele, da África Central, reserva sua maior cabana de palha para as mulheres irem quando menstruam pela primeira vez, acompanhadas de outras meninas. Nessa tribo, menstruar é considerado algo poderoso e abençoado pela Lua. Eles ainda usam ditos populares do tipo “meu maior marido é a Lua”, o que demonstra a ligação que elas têm com seu ciclo interno e com ciclo lunar.

E porque o assunto menstruação virou tabu, então?

O site Clue fez uma pesquisa e identificou algumas possíveis teorias sobre porque a menstruação se tornou um tabu social:

a) Freud dizia que a origem do tabu menstrual era por causa do medo do sangue;

b)  Shirley Lindenbaum, antropóloga, teorizou em 1972 que o tabu menstrual era uma forma natural de controle populacional, que limitava o contato social por causa do estigma da “sujeira”;

c) Robert S. McElvaine, historiador, em 2000 criou o termo “síndrome não-menstrual” ou “SNM”, para descrever a inveja reprodutiva que levava os homens a estigmatizarem a menstruação e dominarem socialmente as mulheres como forma de “compensação psicológica para aquilo que o homem não consegue fazer biologicamente”.

É importante lembrar que existem muitas teorias a respeito do tabu social que envolve a menstruação. É provável que não tenha acontecido por um único motivo, mas sim pela combinação entre diferentes fatores. As teorias são pistas para entendermos as causas que levaram esse assunto a ser tratado com discrição na nossa sociedade.

Hoje, estamos cada vez mais rompendo o silêncio e conversando sobre esse assunto em diferentes ambientes. As mulheres estão trazendo pautas importantes para serem debatidas na sociedade e uma delas é a menstruação!

Estamos percebendo que menstruar é natural e pode ser confortável. Além disso, podemos agora passar nosso ciclo impactando menos o planeta, ao gerar menos resíduos com o uso de absorventes reutilizáveis. Todas essas são novidades que às vezes demoramos um pouquinho para nos adaptarmos, e isso é normal.

Se você quiser conhecer mais sobre o seu período menstrual pode usar uma ferramenta de auto-conhecimento: a Mandala Lunar (falamos sobre ela nesse texto). Ela é uma espécie de diário, no qual você pode preencher informações sobre o seu ciclo menstrual, como humor, comportamento e disposição. Além de conhecer mais sobre a relação do seu ciclo com o ciclo da Lua! Essas ferramentas auxiliam no entendimento de que a menstruação é algo natural e bonito, e que devemos honrar nossos ciclos internos ao aprender com eles.

Também aprendemos muito ao conversarmos com outras mulheres sobre esse assunto, afinal isso é algo que nós temos em comum! Conversar é a uma das melhores maneiras de ajudar a romper esse tabu social!

E por aí, você conversa com outras mulheres sobre a menstruação?

O que tem achado da evolução dos protetores menstruais, com qual deles você mais se adaptou?

Conta pra gente aqui embaixo!

Um abraço, Fran.

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