Qual é a história que a sua roupa te conta?

Qual é a história que a sua roupa te conta?

por Herself
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25/04/2019
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O ritmo de compras e descarte das roupas é bizarramente rápido – e enquanto isso, o mundo lida com uma crise de resíduos têxteis. Com uma coleção nova a cada semana a preços baixíssimos, as grandes empresas da indústria fast-fashion cultivam a ideia de que as pessoas precisam de muito – e novos – para a sensação de felicidade.

Enquanto alguns consumidores encontram peças de roupa mais baratas que uma garrafinha da água, certos países vêm seus ritmos de produção, condições climáticas e direitos trabalhistas piorarem num ritmo tão acelerado quanto o consumo que financia tudo isso.

 

Então se a etiqueta da sua roupa pudesse falar, qual história será que ela te contaria?

 

Desde a tragédia do Rana Plaza, em Bangladesh, esse questionamento vem sendo levantado com cada vez mais força. O prédio de oito andares abrigava quatro fábricas têxteis, fornecedoras das maiores empresas do mundo da moda que conhecemos desde sempre. Devido à negligência dos proprietários quanto às condições da infraestrutura, dia 24 de abril de 2013 o prédio sucumbiu, criando a pior tragédia dessa indústria na história.

O acidente que deixou mais de 2500 pessoas feridas também foi responsável pela morte de 1134. A maioria eram mulheres e filhos, que lá trabalhavam em condições análogas à escravidão. E aí é levantado o questionamento: a blusinha de R$10,00 realmente custa isso? Qual é o verdadeiro valor pago pelas roupas que escolhemos? Quem está por trás de cada peça que vestimos? Uma vida de fato vale tão pouco assim?

Desde então, no dia 24 de abril, mundialmente são celebradas ações envolta da pergunta #quemfezasminhasroupas?. O movimento se chama Fashion Revolution, que realiza ações de impacto, conversas e workshops. O intuito é promover mudanças na mentalidade e comportamento em consumidores, empresas e profissionais da indústria.

Aqui na Herself a gente acredita que a moda tem um poder enorme: todo dia escolhemos o que vestir baseado no que queremos comunicar a nós mesmas, e talvez, a quem nos vê – seja essa mensagem escolhida conscientemente ou não. Moda e estilo são manifestos pessoais e também coletivos, pois quem acredita, escolhe vestir causas.  

Acreditamos na transformação positiva dessa moda. Cada pedaço de tecido, cada aspecto da tecnologia e funcionalidade das peças, cada etapa da cadeia logística: tudo foi escolhido cuidadosamente para fomentar a sustentabilidade e celebrar não só quem veste, mas quem está por trás da produção cada calcinha, biquíni e maiô absorvente.

Então o que queremos dizer quando falamos que a Herself é 100% brasileira?

Não se trata apenas da modelagem das peças íntimas, adaptada e atendendo especificamente às preferências das mulheres daqui. É sobre garantir que toda, todinha mesmo, procedência da peça é nacional. Sem envolver mão-de-obra que não sabemos das condições de trabalho; sem envolver o ônus ambiental de todo o transporte a longas distâncias que envolve a importação de tecidos mais baratos lá de fora; sem envolver não termos o contato – olho no olho – com quem está contribuindo todo mês para que mais e mais mulheres revolucionem a maneira como vivem a menstruação.

Esses são os rostinhos das costureiras envolvidas na confecção de cada Herself. Ali tem quem menstrua e ama vestir uma calcinha absorvente, como tem quem demorou mais de 3 meses pra ser convencida de que funciona e finalmente testar pela primeira vez. Cada uma tem a sua história envolvendo a profissão e como chegou até aqui.

“Eu adoro fazer as calcinhas. Ajuda as mulheres, ajuda o planeta… é muito lindo, muito gratificante!”. Esse é o depoimento da Natália Muller, de 22 anos, sobre trabalhar com a Herself.

A grande maioria de nós aprendeu a checar as etiquetas para saber quanto de algodão, elastano, poliéster, poliamida têm nas roupas. O que não se é questionado desde sempre é o quanto da história, do meio-ambiente e de cada pessoa envolvida, há em cada peça. Por isso, tente se lembrar que tudo que chega até você vêm com uma jornada por trás – às vezes limpa e justa, mas muitas vezes não.

Torne os questionamentos um hábito. Procure ler e perguntar mais, não se deixar levar por mensagens de marketing vazias e necessidades de consumo impostas. A moral não é radicalmente parar de consumir; é apenas botar a consciência em prática – na escolha de quanto, quando e onde comprar.    

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