Precisamos falar sobre o HPV

Precisamos falar sobre o HPV

por Victoria Castro
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30/10/2018
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Você já ouviu falar em HPV?

Recebeu um diagnóstico e ficou extremamente ansiosa?

Respira fundo e vem ler esse post até o final.

O que é o HPV

HPV é a sigla para Human Papillomavirus. Em português, papilomavírus humano. Existem mais de 150 tipos de HPV, sendo que pelo menos 40 tipos podem ser transmitidos via contato sexual. A maioria é assintomática.

Esse vírus é responsável pelo aparecimento de verrugas, sejam elas de pele ou genitais, geralmente nas mucosas. Os tipos de HPV que causam verrugas na pele são diferentes dos que causam verrugas genitais.

O HPV genital é considerado a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum em todo o mundo. No Brasil, uma pesquisa divulgada recentemente estimou que a prevalência estimada do vírus na população é de 54,6%, embora há estimativas de que pelo menos 80% da população geral venha a se infectar com o vírus ao longo da vida.

 

Dois principais tipos de infecção por HPV

Em relação ao HPV genital, existem dois principais grupos: o dos que causam verrugas e o dos que causam lesões que podem se tornar câncer.

Os principais tipos que causam verrugas genitais são o 6 e 11. Essas verrugas causam protuberâncias nos genitais, podendo ficar agrupadas em formato de “couve-flor”. Elas podem aparecer no pênis, na vulva, na vagina, no ânus, etc, sendo mais comumente manifestadas em mulheres. Essas verrugas são benignas, e não estão relacionadas à maior incidência de câncer.

Já os tipos que causam câncer são, principalmente, o 16 e o 18. Eles estão relacionados a praticamente todos os casos de câncer de colo do útero e boa parte dos cânceres de pênis, de vulva, de ânus e até de garganta (sim, sexo oral também é sexo e pode transmitir HPV!). Esses tipos não causam verrugas, mas provocam essas lesões que podem lentamente evoluir para um câncer.

Ter HPV é diferente de ter sintomas

Como a prevalência do HPV é bastante alta na população sexualmente ativa, pode-se dizer que quase todo mundo que transa ou já transou, teve, ao menos, contato com o vírus. Ou, se não teve, provavelmente terá.

Mas ter contato com o vírus não significa que ele vai se manifestar em algum momento. Ele pode ser combatido pelo nosso corpo, ou ficar “dormente” por meses ou anos até dar sinal.

 

Papanicolau não é diagnóstico de HPV!

O papanicolau é um exame de rastreio que coleta algumas células do nosso colo do útero. Dessa forma, ele consegue rastrear possíveis lesões causadas pelo HPV, para então tratá-las e evitar que evoluam para um câncer. Ele não detecta a presença do vírus em si.

Ter um exame papanicolau normal significa que não foram encontradas lesões no seu colo do útero, apenas. Não significa que você não tenha HPV ou outras infecções também muito comuns (como clamídia e gonorreia). Falamos mais sobre exame de rastreio e o papanicolau aqui.

A presença do HPV também não é diagnosticada em exames de sangue comuns, e nem no teste rápido de sorologia.

E, convenhamos: nem tem por quê, né?

Se o vírus tem prevalência alta, é assintomático na maior parte das vezes e sua forma mais grave – a partir do momento que causa lesões e no que se refere ao tipo de câncer mais comum – pode ser rastreada, investigar a simples presença do vírus em determinado momento da vida pode causar mais ansiedade do que qualquer outra coisa.

 

Camisinha protege totalmente?

A camisinha é um fator protetivo para o HPV, principalmente para os tipos que causam câncer de colo do útero, pênis, vulva e garganta. Mas, infelizmente, não protege 100% da transmissão do vírus. Isso porque a camisinha não recobre totalmente as áreas que podem ter a presença do vírus, como a virilha.

Mesmo assim, ela é essencial mesmo para quem já possui o vírus, visto que são vários tipos diferentes. Também é essencial porque, quando se há lesões por HPV, o risco de contrair outras ISTs também fica aumentado.

E como infecções não veem cara e nem são curadas espontaneamente apenas por alguém entrar em um relacionamento apaixonado e fiel, o uso é recomendado inclusive para casais monogâmicos.

 

Posso pegar HPV no banheiro ou sentando em lugares públicos?

Em teoria, tudo é possível, e há muitas controvérsias sobre essa questão. Mas, na prática, não há evidência suficiente para dizer que é possível pegar uma infecção sexualmente transmissível sentando em um vaso sanitário, compartilhando jeans ou sentando no ônibus, por exemplo.

O vírus não atravessa camadas de roupa e também não tem “perninhas”. Então, com o perdão da expressão, só seria possível contrair HPV em um vaso sanitário se todas as pessoas literalmente esfregassem as genitais nas bordas.

Se alguém tem vida sexual ativa, é muito mais provável que tenha adquirido o vírus dessa forma. Mesmo que tenha tido apenas 1 parceiro(a), e/ou sempre tido contato sexual com camisinha.

 

A vacina contra HPV funciona?

Há algumas vacinas contra o vírus no mercado, e inclusive disponibilizadas pelo SUS gratuitamente para o público alvo da campanha. Aqui, a campanha foca em vacinar meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Isso porque os mais jovens tem menos chance de já terem tido contato com o vírus. Também é disponibilizada para pessoas que vivem com HIV/Aids e pessoas transplantadas.

A vacina pode ser bivalente ou quadrivalente. A primeira protege dos dois principais tipos causadores de lesões que podem evoluir para câncer, o 16 e o 18. A quadrivalente protege, além dos tipos 16 e 18, contra os tipos 6 e 11 também – e é a fornecida pelo SUS no Brasil.

A vacina ainda causa controvérsia entre especialistas, mas cada vez surgem novos estudos sobre sua eficácia no controle do câncer de colo do útero na população. De acordo com a OMS, a vacina é segura e eficaz para diminuir o número de lesões que podem causar câncer. Vacinar os meninos também é relevante justamente por eles serem “reservatórios” do vírus.

 

Como controlar o HPV

Uma vez contraído o vírus, não há cura, mas há total controle de suas manifestações. Além de haver tratamento para as lesões no colo do útero e para as verrugas genitais, é possível ter uma rotina de cuidados para evitar o reaparecimento do vírus.

Isso se dá, principalmente, fortalecendo o sistema imunológico. Assim, o corpo combate o vírus de forma mais eficaz. Como fazer isso? Tendo uma boa alimentação, praticando atividade física e principalmente controlando o estresse.

Além disso, é importante seguir o rastreamento, através do papanicolau, de acordo com a necessidade.

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