Vamos falar sobre câncer de mama?

Vamos falar sobre câncer de mama?

por Victoria Castro
|
09/10/2018
|
, ,

O câncer de mama, depois do câncer de pele não melanoma, é o câncer mais comum entre as mulheres do Brasil e do mundo, com uma estimativa de 60 mil novos casos por ano apenas no nosso país, de acordo com o INCA. Mais raramente – cerca de 1% de todos os casos da doença -, a doença também atinge homens. Se descoberto precocemente, a taxa de cura chega a 95%.

Ainda que o assunto seja delicado, é essencial falarmos sobre ele justamente porque “evitar” o tema não colabora para a atenção a possíveis sinais e para o diagnóstico precoce da doença. Falando abertamente sobre câncer, desvendamos mitos relacionados a ele e melhoramos o enfrentamento a doença, que na maior parte das vezes tem tratamento e está longe de ser uma “sentença de morte”.

Como surge o câncer?

Assim como o outros seres vivos, somos compostos por células. Nossas células, de vários tipos, estão sempre se renovando, e temos mecanismos que controlam os erros que acontecem durante as divisões e multiplicações – afinal, são trilhões de células criadas diariamente. Um câncer pode surgir quando ocorrem erros específicos durante alguma destas divisões, gerando células anormais que se multiplicam sem controle, afetando o funcionamento das outras células. No caso do câncer de mama, ocorre uma proliferação de células mamárias anômalas.

Tem fatores de risco?

Sim. Embora o surgimento do câncer de mama não tenha uma causa única, há alguns fatores que elevam o risco de desenvolvê-lo (lembrando que risco é muito diferente de ser causa ou certeza!). Existem 3 principais agrupamentos de fatores de risco:

  • Fatores comportamentais e ambientais: sedentarismo, obesidade após a menopausa, consumo de bebidas alcoólicas, exposição frequente a radiação (raio X, mamografia e tomografia);
  • Fatores hormonais/de história reprodutiva: menarca antes dos 12 anos e/ou menopausa após os 55 (devido ao maior tempo de exposição aos próprios hormônios), não ter tido filhos, não ter amamentado, uso de contraceptivos hormonais por tempo prolongado, reposição hormonal após a menopausa;
  • Fatores hereditários: ter história familiar de câncer ovário e/ou câncer de mama – especialmente antes dos 50 anos.

É importante controlarmos os fatores de risco, na medida do possível e principalmente se tivermos histórico familiar de câncer de mama. Conhecer os fatores nos permite tomar melhores decisões, mas não devem ser motivo de desespero e preocupação.

Quais os sintomas e como é o diagnóstico?

Os sintomas mais comuns do câncer de mama são:

  • Caroço fixo, geralmente indolor.
  • Pele avermelhada ou parecida com casca de laranja.
  • Alterações no mamilo (bico do peito).
  • Saída de secreção anormal das mamas.
  • Nódulos nas axilas ou pescoço.

Se você notar algum desses sintomas, é necessário investigar o quanto antes. Mas tenha em mente que, muitas vezes, não é câncer de mama.

 
O diagnóstico se dá a partir de uma biópsia, que é a retirada de algumas células da área suspeita para análise em laboratório. A biópsia é feita apenas a partir de uma suspeita no exame físico, ultrassom ou mamografia.

O exame físico é através do toque, sendo realizado com o auxílio de uma profissional da saúde capacitada. Ele possibilita a percepção de possíveis alterações suspeitas que precisem de uma investigação maior.

Nesse caso, utiliza-se a mamografia, que é um exame de imagem que permite visualizar a mama por dentro, identificando nódulos. Pode-se usar o ultrassom como complementar, para diferenciar nódulos de cistos benignos (que não são câncer e não trazem risco).

A mamografia como rastreio, a cada 2 anos, é recomendada para mulheres de 50 a 69 anos de idade. Para mulheres com histórico familiar de câncer de mama, é necessário avaliar o risco junto a(o) médica(o) para estabelecer a conduta a se seguir.

Como a mamografia é um exame que oferece riscos (assim como qualquer outro exame), não é recomendado que mulheres com menos de 50 anos, sem sintomas, sem suspeitas e sem histórico familiar façam a mamografia de rotina. Comprovadamente, o exame oferece mais riscos do que benefícios nesse caso, não fazendo parte do protocolo da saúde hoje. Temos um post sobre exames de rotina aqui.

Onde o autoconhecimento entra nisso?

Considerando que cada corpo é único, o autoconhecimento é fundamental para as mulheres conhecerem o que é normal do seu corpo para poderem, então, identificar o que não é. Tocar as próprias mamas, reconhecer as variações comuns (de acordo com o momento do ciclo menstrual, por exemplo) e identificar as suspeitas é algo que todas podem e devem fazer, independente da idade. A maior parte dos cânceres de mama são descobertos pelas próprias mulheres¹.

Como fazer o autoexame

Trago aqui algumas cartilhas para fazer o autoexame e para ajudar na identificação de sinais que requerem atenção.

 

O momento indicado para fazer o autoexame são os dias após a menstruação, estabelecendo, preferencialmente, um dia fixo para fazê-lo, uma vez por mês.

Você já fez o autoexame? Vivencia ou já vivenciou um câncer de mama e quer compartilhar sua história com a gente? Sinta-se à vontade e, desde já, abraçada! ♥

Beijos!

Avalie este post
Comentários

Deixe uma resposta

Posts Relacionados

Quer ver algum tema específico no blog? Conta mais!





Entra com a gente nessa ;)

DIGITE SEU NOME E E-MAIL PARA FICAR POR DENTRO DE TUDO