Você tem nojo da sua menstruação? Te propomos estas 7 reflexões

Você tem nojo da sua menstruação? Te propomos estas 7 reflexões

por Victoria Castro
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01/01/2019
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Quando falamos em menstruação, o tabu sempre aparece. A falta de espaços para conversar abertamente e a vergonha aparecem juntos como queixas comuns. Utilizamos de vários eufemismos para não falar a palavra “menstruada”: “naqueles dias”, “monstra”, “maré vermelha”, “de chico”.

No entanto, a reação comum mais visceral quando falamos em menstruação é ele: O NOJO.

De onde vem o nojo?

O nojo, em si, é uma reação natural e às vezes instintiva. Ele existe porque nos dá uma vantagem evolutiva de sobrevivência, por nos manter longe de outros seres, alimentos e substâncias que podem nos causar doenças ou nos fazer mal.

Ele está ligado a nossas emoções, e pode ser aprendido. Considerando que somos seres sociais, somos estimulados a ter nojo de algumas coisas e até mesmo a não ter de outras que provavelmente teríamos naturalmentese você não vivesse em uma civilização pós-industrial e encontrasse uma planta com cheiro de salgadinho de queijo ultraprocessado, você provavelmente não a comeria.

Sendo assim, o nosso nojo é reforçado e às vezes até criado pela nossa cultura e pela época em que estamos vivendo.

A história da depilação feminina é um exemplo disso: as práticas de remoção dos pelos são bem antigas, mas no século 19, por exemplo, as mulheres mantinham os pelos das axilas. Eles tinham uma carga erótica, inclusive. Logo no início do século seguinte, a remoção dos pelos passou a ser vendida como sinônimo de beleza feminina. A carga de higienização está presente até hoje, e a maioria das mulheres vê os pelos não como simplesmente anti estéticos, mas como nojentos, apesar de os pelos não oferecerem mal ou risco algum. Como eles serão vistos no futuro? Não sabemos.

 

Seria o nojo de menstruação algo cultural?

Ter nojo de menstruação não é algo novo. Em muitas culturas, a menstruação é vista como suja e impura. No Brasil, apenas 42% das mulheres não acham a menstruação nojenta.

Algumas pessoas têm fobia de qualquer tipo de sangue, sim. Mas o fluxo menstrual é visto de fato como nojento, e uma das causas prováveis disso é o fato de passar pela vagina. As vaginas e as vulvas são vistas como sujas, e muitos mercados de higiene e produtos íntimos criam as nossas inseguranças para lucrarem com elas, inclusive.

A proposta deste texto, de refletir sobre o nojo em relação a menstruação, é um convite para nosso próprio autoconhecimento. Se for o caso, de entender e de se apropriar do próprio nojo. Não queremos obrigar ninguém a gostar de menstruar ou a achar a menstruação o máximo. Vivência é algo muito particular e não queremos homogeneizar sentimentos humanos. Mas entender a origem dos nossos sentimentos em relação a menstruação é fundamental.

O nojo é de fato seu?

Quando pesquisamos sobre “nojo” e “menstruação” no Google, os principais resultados e termos de busca se relacionam aos homens. Isso pode ser um indicativo de que muitas mulheres estão preocupadas em saber se os homens acham a menstruação nojenta, ou se sentem nojo de transar com mulheres menstruadas.

Sabe por que isso é sintomático? Porque muitas meninas e mulheres não tinham sentimentos especiais em relação ao próprio fluxo menstrual e começaram a ver a menstruação como algo sujo e nojento baseado no que ouvem e veem. Ou então porque foram constrangidas por um parceiro por estarem menstruadas. Aliás, muitas sequer se sentem à vontade de falar para o namorado que estão menstruadas por receio da reação dele.

E, então, nós temos a situação em que a maioria das mulheres sangra, e sangrar pela vagina não combina com a feminilidade fabricada a qual somos submetidas.

Afinal, a feminilidade, ao contrário da masculinidade, é artificial, produzida, não é intrínseca à nossa natureza. Nossos hormônios não produzem as características vistas como “femininas”. A feminilidade é perfumada, depilada, adornada e sem sangue e secreções. Ou seja, não existe em corpos femininos em seus estados naturais.

 

Por que usar eufemismos?

Eufemismo é uma figura de linguagem que nos faz usar palavras mais “agradáveis” a fim de suavizar um termo que seja considerado grosseiro, desagradável ou um tabu.

Logo, falar mais a palavra “menstruação” nos ajuda a encarar o processo com maior naturalidade. Por incrível que pareça, o nojo muitas vezes se estende até para as palavras! É importante avaliar como isso impacta na nossa vida e, se for o caso, tentar desconstruir o receio de falar “menstruação” ou de dizer que está “menstruada”.

E se nos tocássemos mais?

Quer mudar sua relação com a menstruação? Tocar e conhecer seu corpo é fundamental!

Conhecer a sua vulva, ter o hábito de vê-la através de um espelhinho, conhecer seu cheiro, gosto e secreções naturais é o caminho para perceber que ela não é suja. É, sim, uma parte do seu corpo, que engloba várias funções de proteção, energia sexual, prazer.

Conhecer e respeitar sua intimidade é o primeiro passo para mudar a relação, também, com o ciclo menstrual. Nossas secreções são indicativos de saúde e, por sermos cíclicas, conseguimos sentir as mudanças do nosso corpo em cada fase. Nosso muco cervical aponta a nossa fertilidade, e o fluxo menstrual anuncia o início de um novo ciclo. Nós podemos perceber a ciclicidade entre nossos dedos.

 

Que tal dar uma chance a outro tipo de protetor menstrual?

Se você costuma utilizar absorventes descartáveis de algodão, provavelmente conhece o aspecto e o cheiro que eles costumam exalar após serem utilizados. No entanto, saiba que o aspecto do sangue no absorvente engana, e que, principalmente, o cheiro do fluxo menstrual em si é bem diferente!

O cheiro da menstruação lembra ferro, e é bem suave – quando a pessoa está saudável e sem infecções, claro. Os produtos químicos presentes nos absorventes reagem com a menstruação, produzindo um cheiro característico. Com a proliferação de microorganismos acelerada, ele se torna desagradável.

Caso você vivencie essa experiência e ache a menstruação nojenta, te propomos utilizar outro tipo de protetor menstrual, como um coletor ou uma Herself. Além de serem métodos mais sustentáveis, te permitem sentir o aspecto real da menstruação – sem se espalhar e inchar em um absorvente – e seu cheiro mais suave.

 

Entender o fluxo menstrual é importante para superar o nojo

A menstruação não é composta apenas de sangue, nem é o mesmo sangue que corre nas nossas veias e artérias. O fluxo menstrual contém sangue e outros fluídos, um conjunto de tecidos formados a cada ciclo menstrual como parte de nossa função reprodutiva. Nossos hormônios estimulam a produção destes tecidos, que são renovados, em média, a cada mês.

Ao sair do útero, a menstruação é estéril. Ela só é colonizada por bactérias ao passar pela vagina, e essas bactérias já são nossas conhecidas. As bactérias da vagina fazem parte da nossa microbiota, e são responsáveis pela própria manutenção da limpeza da nossa vagina! Sim! Portanto, o sangue menstrual não oferece risco – a não ser o risco intrínseco de qualquer secreção, no caso de contato sexual, por exemplo.

Veja: não é necessário mitificar o sangue menstrual ou tê-lo como algo sagrado – embora seja uma boa forma de se conectar com seu próprio ciclo! – para entendê-lo. Você pode ver o sangramento como um processo natural, um sinal positivo de saúde. Quem sabe, compreendendo a sua função, o “nojo puro e simples” não vai embora? 🙂

 

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