O prazer feminino e a importância do autoconhecimento

O prazer feminino e a importância do autoconhecimento

Ah, o tal prazer feminino

Ele foi ignorado por muitos anos na história recente, como se não constituísse um aspecto extremamente relevante na evolução da sexualidade humana. O clitóris, nosso órgão exclusivo de prazer sexual, com mais 8 mil terminações nervosas e uma enorme parte interna, parece ter “passado desapercebido” por muitos anatomistas por um booooom tempo.

Atualmente, o prazer feminino é determinante nas relações. Porém, todas as restrições nas expressões da sexualidade e a ideia do sexo como “pecado original”, presentes até hoje, afetam as possibilidades de superação de vários tabus relacionados. Inclusive ainda existe aquela história de que “o prazer sexual é masculino”, ou de que “os homens gostam mais de sexo do que as mulheres”, um julgamento super equivocado e raso, né?

Autoestima para buscar o autoconhecimento

Na internet, facilmente encontramos dicas para elevar a autoestima, se sentir sensual, se masturbar e atingir muitos orgasmos. Porém, nada disso é suficiente se nos falta conhecimento sobre nós mesmas, se falta a (auto)permissão para… sentirmos. Muitas esbarram na barreira do tabu e na vergonha de fazer algo historicamente tido como pecaminoso. Afinal, a construção da sexualidade da mulher no Ocidente foi sobre a culpa e sobre a vergonha. O corpo é pecaminoso, o prazer é estigmatizado.

E bom, isso é captado por nós desde a nossa infância, quando ouvimos o primeiro “tira a mão daí” e nos sentimos sujas por tocarmos nossas próprias vulvas. Ao crescermos, muitas vezes é como se o nosso corpo não nos pertencesse: não nos achamos dignas de ter prazer e nos sentimos até “meio ridículas” por tentar.

Mas sim, você tem direito de sentir prazer.

Mais do que isso: dentro de você, há um sistema inteirinho que existe só para te dar (muito!) prazer. E é aí que entram a autoestima e o autoconhecimento.


O primeiro passo para conhecer todo esse sistema e viver o processo de se aceitar e aprender a se amar é se tocar.

Não somente tocar na própria vulva ou vagina, mas permitir se tocar por todo o corpo, com carinho e paciência. Sem pressa. Já pensou nisso? Segue:

Contato conosco é importante demais

A pele é o maior órgão do nosso corpo, e também a nossa maior zona erógena. Não é gostoso sentir o sol tocando na nossa pele num dia fresquinho? Ou um vento leve no rosto durante um dia quente? Massagear suavemente alguma parte do nosso corpo? Claro, pois o tato é um sentido muito poderoso! Nós somos humanas, desejamos sentir, tocar, sermos tocadas. É natural!

Assim, escolha um lugar confortável, que você se sinta à vontade. Use seus sentidos: o tato, o olfato. Sinta a textura da sua pele, aprecie a maciez, perceba o cheiro dela. Se preferir, passe um hidratante ou óleo cheirosinho no corpo e massageie. Curta o seu próprio toque, sua própria companhia.

Além de ser um método de reforçar a autoestima e a autoaceitação, se tocar é uma forma de perceber como o corpo inteiro têm potencial de prazer. Sim, muito além dos genitais apenas! E experimentar algumas das sensações prazerosas que seu corpo – inteiro, como ele é de fato – pode te proporcionar é o primeiro passo para se permitir e se conhecer.

É o autoconhecimento que possibilita o prazer

A partir do momento que conseguimos fortalecer nosso amor próprio e abrimos espaço para descobrir o que gostamos ou não, vencemos, aos poucos, a barreira da vergonha em explorar nosso próprio prazer. Afinal, nem todo mundo gosta das mesmas coisas.

A nossa resposta sexual é basicamente dividida em quatro fases: a do desejo, a da excitação, a do orgasmo e a da resolução.

É fundamental se conhecer e se permitir sentir, como já falamos antes. Também, se permitir fantasiar, porque o desejo sexual, primeiro passo para o prazer, não vem “do nada”. A gente precisa descobrir o que nos excita – o que dá aquela vibraçãozinha gostosa lá embaixo – e pensar sobre isso. Para nós, o desejo muitas vezes não é imediato, ele é responsivo, precisa ser constantemente “alimentado” pelos nossos pensamentos. E claro, até o nosso estilo de vida, alimentação e estresse influenciam nisso!

É o desejo que possibilita a excitação, em que uma enxurrada de sangue vai para a região genital, aumenta a nossa frequência cardíaca e deixa o nosso corpo inteiro muito mais sensível. Nesse momento, sabermos como nos tocar e quais os estímulos que precisamos é o que vai ser definitivo para curtirmos o prazer e atingirmos o orgasmo – ou orgasmoS, já que, na fase de resolução (pós orgasmo), temos possibilidade de vir a engatar em novos ápices de prazer, os famosos orgasmos múltiplos!

E isso tudo é no teste. Às vezes, é até instintivo, mas em outras demanda aprendizagem, tempo e paciência, especialmente se fomos reprimidas nas fases de descoberta sexual. E tudo bem!

O que queremos dizer é que, caso você ainda encontre barreiras nesse processo pessoal, vale a pena insistir. Vale a pena começar lá do começo: autoaceitação, apreciação de si mesma. Nunca é tarde! <3

E se você já está mergulhada nessa delícia do universo do prazer feminino, é sempre válido dividir suas experiências e descobertas por aqui, viu?

Um beijo grande e muito prazer!

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