Lançamento da coleção Plurais e o debate sobre pluralidade na moda

Lançamento da coleção Plurais e o debate sobre pluralidade na moda

A nossa coleção Plurais – primeiras calcinhas menstruais em diferentes tons de nude – foi lançada neste último final de semana, na loja Chica Bolacha, em Porto Alegre. O evento de lançamento contou com uma roda de conversa sobre pluralidade na moda com participação da influenciadora digital Pâmela Machado; das ativistas Monique Machado e Luana Carvalho; além das mediadoras e consultoras de moda ética Raquel Chamis e Laura Madalosso

Da esquerda pra direita: Laura, Raíssa Kist (fundadora da Herself), Monique, Luana, Pâmela e Raquel. Foto: João Arthur Moroni

O bate-papo ajudou a desmistificar alguns estigmas de sustentabilidade e a refletir sobre o que de fato é diversidade e representatividade. Além disso, as meninas lembraram que o boicote a grandes lojas de varejo – conhecidas também como redes de fast fashion – não é uma realidade para a maioria dos brasileiros. Isso se deve a diversos motivos, dentre eles o poder de compra e a falta de diversidade das numerações das peças.

Apesar de muitas vezes acreditarmos que consumo consciente e sustentabilidade estejam relacionados apenas ao impacto ambiental, esses conceitos vão muito além. Isso porque o impacto social gerado por meio de uma compra também é uma maneira de ser sustentável – e às vezes muito mais eficaz, como a Laura e a Raquel nos lembraram. E foi a partir desse viés de sustentabilidade que o bate-papo fluiu. 

A Pâmela compartilhou um pouco sobre a responsabilidade de influenciar muitas meninas e saber que boa parte desse público não tem poder aquisitivo pra comprar algumas peças, sugerindo como alternativa, então, a busca por roupas similares em brechós. A forma que a Monique encontra de causar um impacto social positivo, mesmo consumindo em lojas de varejo, é, por exemplo, comprar com vendedoras negras, já que elas receberão a comissão da venda. 

Além disso, fazer roupas para pessoas gordas – de verdade – e torná-las acessíveis – financeiramente e de fácil alcance – é outra maneira de ser sustentável. Até porque, como a Luana relatou durante a roda de conversa, roupas para pessoas gordas, além de serem difíceis de se encontrar, normalmente são muito mais caras, como se as lojas falassem “pare de ser gorda”. E, infelizmente, são raros os brechós que têm diversidade nas grades de tamanho, sendo um privilégio poder encontrar peças nesses espaços. Por isso, a modelo e ativista contou que, se ela encontra uma roupa do seu gosto e que tenha o seu tamanho em lojas de fast fashion, irá sim comprar, pois o problema está justamente em não encontrar peças do seu tamanho na grande maioria das lojas.

Monique, Luana e Pâmela durante a roda de conversa. Foto: João Arthur Moroni

As três participantes trabalham com algumas marcas, como modelos ou em parcerias. E, apesar de cada vez mais as marcas se importarem em trazer pessoas negras e gordas em suas fotos, a Monique relatou que infelizmente acaba existindo uma certa competição entre elas, porque, “se me chamarem, não vão chamar a Pâmela ou a Luana, por exemplo”, mesmo que as três tenham corpos e tons de pele muito diferentes. É como se, em cada campanha, só existisse espaço para uma única mulher negra e/ou gorda.

Daí vem a importância de lembrarmos que somos Plurais – e cada uma de nós é única. Por que chamamos de nude peças em rosa claro ou bege? Por que tentamos esconder as marcas – estrias, celulite, espinhas, cicatrizes – da nossa pele? 

Lançamos a nova coleção querendo questionar e subverter todos esses padrões estabelecidos pela indústria da beleza e da moda, ressignificando a pele bonita como aquela que é única. 

E, pra você, o que é pluralidade na moda? Conta pra gente nos comentários 😉

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